Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 21/08/2020

Em março de 2016, dois jovens mexicanos foram linchados e mortos, acusados de feminicídio e estupro de uma jovem. Porém, o que os linchadores não sabiam é que os rapazes eram inocentes, vítimas de “fakenews”. Hodiernamente, a ideologia de cancelamento no Brasil é uma luta diária que os usuários de redes sociais enfrentam, uma vez que os cancelados são, em sua maioria, indivíduos que não têm direito à resposta. Nesse contexto, não há dúvidas de que a cultura de cancelamento no Brasil é um desafio o qual ocorre devido não só ao incentivo ao ódio, como também a negligência governamental.

Nesse cenário, os “haters” – usuários procuram perfis e disseminam o ódio – ficam de prontidão, esperando o “desvio” comportamental de algum famoso, ou alvo pessoal, para bombardeá-lo no intuito de macular sua imagem. Nesse contexto, de acordo com o escritor Umberto Eco: “As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel”. Sendo assim, muitos internautas, se autodenominam justiceiros e espalham o ódio e sustentado pelo politicamente correto para tentar cancelar alguém, o que é um problema, pois uma vez dito, a reparação do dano causado poderá ser impossível.

Ademais, a Constituição cidadã de 1988 garante a inviolabilidade da honra e imagem das pessoas, inclusive na internet, todavia o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, uma vez que não existe mecanismos específicos para garantir a integridade moral da sociedade nas redes sociais, fazendo os direitos permanecerem no papel.

Portaanto, para mitigar o problema elencado, faz-se necessário que o Governo – órgão máximo do executivo – elabore por meio de leis, artifícios que coíbam a criação de perfis falsos nas redes sociais, para evitar que pessoas utilizem contas falsas no intuito de difamar outrem. Além disso, é responsabilidade do Ministério da Ciência e Tecnologia, estabelecer um canal de comunicação mais efetiva com os internautas, por intermédio de aplicativos e das redes sociais, como Facebook, para que denúncias de disseminação de ódio, para beneficiar toda a rede WEB. Como efeito social, a cultura de cancelamento no Brasil não será mais realidade, destruindo, assim mais essa mazela.