Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 21/08/2020

No episódio “Odiados pela nação”, da série antológica de ficção científica “Black Mirror”, pessoas vítimas de críticas nas mídias sociais começam a morrer de maneira misteriosa. Analogamente, na sociedade contemporânea, o mundo virtual transfigurou-se em uma ferramenta para a propagação da difamação. Nesse sentido, em um mundo cada vez mais narcisista, a exibição exagerada se torna um grave problema, contribuindo para que a cultura do cancelamento atue nas relações de poder.

Em primeira análise, é evidente que a era contemporânea é marcada pela exibição virtual. Sob esse ponto de vista, Guy Debord, em sua obra “A sociedade do espetáculo”, faz crítica à sociedade imagética que vive alienada no espetáculo da vida alheia. Dessa forma, a superexposição pode gerar imagens supérfluas e distorcidas da realidade que facilitam formas de julgamento, repressões e cancelamento.

Além disso, analisa-se a característica sutil e complexa que a microfísica do poder detém. Para Foucault, todas as instituições participam da estrutura do poder, podendo assim, manipular relações e comportamento. Por isso, é comum que uma onda de cancelamento rapidamente se espalhe nas redes sociais. Logo, essas reproduções de comportamento refletem as necessidades de auto afirmamento dos indivíduos.

Depreende-se, desse modo, a necessidade de interromper com a cultura do cancelamento. Portanto, apesar de desafiador, o Poder Público, juntamente com as redes de mídia, pode vincular campanhas publicitárias que induzam uma reflexão sobre essas atitudes e tragam informações que auxiliem na construção do senso crítico individual. A fim de que essa cultura não se perpetue e haja conscientização da superexposição.