Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 12/09/2020
Em meados de março, durante a quarentena, Gabriela Pugliesi fez uma festa em casa com amigos. A confraternização, publicada nas rede sociais, fez a influenciador digital perder contratos com empresas, que cancelaram trabalhos devido o pressionamento de internautas indignados. Nesse sentido, ações a fim boicotar figuras públicas fomentam a cultura do cancelamento. Assim, é preciso analisar os fatores que incentivam esse comportamento, uma vez que o medo da retaliação pode desestimular a liberdade de expressão.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que, a cultura do cancelamento revela o aumento na preocupação em relação à questões que não eram debatidas pelas gerações passadas. Nesse sentido, um título de exemplo é Silvio Santos, uma vez que, o renomado apresentador, tem sido criticado devido o uso de um humor politicamente incorreto, que décadas atrás não era problematizado. Destarte, nota-se que a exigência de uma postura responsável perante ao público é uma característica benéfica desse fenômeno sociológico, todavia, é preciso atentar-se aos efeitos desse poder de boicote.
Em segundo lugar, vale salientar que, apesar dos indivíduos praticarem o linchamento virtual como medida corretiva, a solução é pouco efetiva, posto que banaliza a discussão de assuntos complexos. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, essa maneira de lidar com as situações, ocorre em detrimento da fluidez, ou seja, superficialidade com que as relações vêm sendo estabelecidos, desde a revolução técnico-científico-informacional. Logo, é imprescindível destacar o perigo da cultura do cancelamento, dado que priva a liberdade de expressão, em especial dos famosos, que evitam debater questões como: racismo, machismo, homofobia; em virtude do medo de receber críticas, ao cometer equívocos sobre algo.
Dessa forma, mediante os fatos elencados, cabe ao Ministério da Educação criar uma campanha nas redes sociais, a fim de mitigar os efeitos recorrentes da cultura do cancelamento. Para isso, o Estado deve investir em propagandas com figuras públicas que já foram canceladas, com propósito de narrar suas experiências, a fim de desenvolver empatia nas pessoas que praticam tal linchamento social. Ademais, sociólogos devem abordar as consequências do enfraquecimento da liberdade de expressão. Dessarte, a implementação desse projeto de conscientização, as pessoas poderão estabelecer críticas construtivas que respeitam as diferentes manifestações de opinião, afinal, como suscitado pelo filósofo Voltaire, é necessário lutar pela poder de livre expressão, ainda que existam discordância de idéias.