Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 26/08/2020
A internet é ferramenta crucial na modernidade, é dela que a maior parte da população retira informações que acham úteis e é através desta que as pessoas podem opinar e discutir, tanto questões efêmeras, quanto importantes causas sociais. Entretanto, ao alocar toda a sociedade para meio cibernético seguiram-na também o males sociais, como o caso da violência. Assim, surgiu a “cultura do cancelamento”, que consiste no linchamento virtual realizado por milhares de pessoas, que objetiva menosprezar e ridicularizar o alvo, podendo prejudica-lo de forma permanente e retirando deste a possibilidade do julgamento justo que lhe é devido. Em primeiro lugar, é importante ressaltar o motivo de os linchamentos virtuais terem surgido. O ambiente digital, por conta da elevada concentração de informações, é terreno fértil para o debate e para a organização de levantes sociais, como foi o caso da Primavera Árabe, que consistiu diversas revoltas contra governos autoritários na região norte africana. Contudo, assim como pode ser usada para o bem de causas sociais, a internet também é muito utilizada para disseminar discursos de ódio e atrocidades. Logo, pela falta de legislações que proibissem a disseminação de notícias falsas ou de falas carregadas de preconceitos, os internautas que levantavam bandeiras igualitárias inciaram ataques virtuais como meio de defender seus estandartes. Porém, os movimentos ganharam mais força, e com isso os ataques que antes eram para defessa, se transformaram em linchamentos. Em segundo lugar, é válido comentar as consequências da “cultura do cancelamento” para a sociedade. Segundo os sociólogos contratualistas, estes que deram os fundamentos para as constituições modernas, o cidadão realiza o contrato social com o Estado e com isso perde a certas liberdades, como a de punir infratores, em troca da ordem e bem estar social. Ademais, o indivíduo deve receber direitos que lhe garantem uma vida digna e lhe deem igualdade de julgamento caso viole o direito do próximo. Portanto, ao tentar realizar “justiça com as próprias mãos”, os canceladores negam a existência do direito do alvo a uma defesa e, muitas das vezes, infligem penalidades desproporcionais. Com isso, o cenário é comparado a um ato anarquista, pois o Estado não está presente nas falas dos “justiceiros”, fator que prejudica o bem estar social. Por fim, vê-se necessária a realização de medidas que protejam os direitos civis. É preciso que o Ministério da Educação, em conjunto com as escolas público e privadas, realize campanhas de educação digital e conscientização sobre os direitos e o contrato social. Tal ação pode ser realizada por meio de aulas intra ou extracurriculares, a fim de de criar nas gerações futuras o entedimento acerca dos seus direito e nos direitos do próximo, o que irá mitigar a “cultura do cancelamento”.