Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 20/08/2020

Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 foi garantido ao homem o direito à liberdade de expressão. Entretanto, em tempos nos quais as redes sociais ganham maior espaço, tal direito é deixado de lado quando, na tentativa de realizar um exercício arbitrário das próprias razões, julgam as pessoas por algo que falaram ou realizaram, constituindo o chamado “cancelamento”. Logo, além da humilhação pública, a pessoa, alvo de tal ato, sofre com consequências momentâneas e futuras.

Em primeiro lugar, nota-se que o pensamento de Heráclito, filósofo pré-socrático, faz-se presente na atualidade. Como dito por ele: “Tudo flui e nada permanece”. Sendo assim, tudo está em constante mudança, inclusive o homem e seus pensamentos. Porém, para os chamados “justiceiros sociais”, um pensamento retrógrado sempre se manterá e cabe a eles julgarem a pessoa que o possui, sem que ela tenha um meio de defesa, contrariando um dos princípios básicos da justiça, que é o direito inato do homem de se defender.

Por conseguinte, após ser julgado de maneira anticonstitucional, sofrer ataques de ódio e eventuais perdas econômicas, como um emprego, os transtornos mentais, tais como ansiedade e depressão, ganham notoriedade. Segundo o jornal Folha de São Paulo, o uso de redes sociais atrelado à demasiada exposição da imagem e de opiniões pessoais, impulsionou o crescimento da depressão no Brasil, que apresentou um aumento de 1,1% no último ano. Dessa forma, o ambiente virtual torna-se um meio seletivo, hostil e injusto.

Portanto, é evidente os problemas causados pela cultura do cancelamento. Assim, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio de fiscalizações nas redes sociais e eventuais retiradas de publicações, a garantia de que o tribunal da internet deixe de existir, uma vez que o mesmo infringe direitos básicos da Constituição. Cabe ainda ao Ministério da Educação, promover políticas públicas, visando a reeducação quanto ao que diz respeito sobre o julgamento pessoal.