Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 23/08/2020

Na obra “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, é retratado uma realidade distópica em que todos que contrariam ou refletem sobre o status quo acabam por ser ostracizados pela própria sociedade. Assim como abordado na obra, a cultura do cancelamento, que vem se tornando cada vez mais forte na sociedade contemporânea, acaba por ostracizar, muitas vezes injustamente, pessoas que cometem atos condenáveis ou que têm uma opinião excêntrica. Assim sendo, é notável que isso ocorre devido ao recente advento das redes sociais e à formação de bolhas sociais.

Em primeiro plano, é evidente que o advento das redes sociais é um fenômeno recente, e que o número de usuários só tende a crescer. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2018, 7 em cada 10 brasileiros usavam redes sociais. Por conseguinte, esses cancelamentos tendem a se tornar cada vez mais frequentes e perigosos, tendo em vista que “justiça com as próprias mãos” é algo danoso, que contribui para o afastamento da “homeostase social”.

Além disso, convém ressaltar que o recente surgimento das bolhas sociais no mundo digital é de suma importância para a compreensão da problemática. Visto que, tanto o algoritmo quanto as pessoas tendem a agrupar-se em grupos que compartilham da mesma opinião. Dessa forma, há uma propensão à hostilização de grupos ou indivíduos que não compactuam com a crença vigente no círculo de usuários. Assim sendo, por se tratar de um número tão acentuado de usuários, é fulcral que o assunto seja tratado com seriedade para que a onda de “cancelamentos” não se torne algo maior.

Por conseguinte, tendo em vista a importância desse ambiente - a internet-, é mister que o Ministério da Cultura(MEC), em parceria com as Secretarias Municipais promovam o ensino básico sobre o uso dessa ferramenta, com a finalidade de que sociedade como um todo faça uma melhor utilização desse instrumento.Desse modo, a sociedade contemporânea poderá se distanciar cada vez mais da realidade distópica apresentada no livro de Aldous Huxley.