Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 20/08/2020
Steven Jobs, um dos fundadores da marca “Apple”, costumava dizer que “a tecnologia move o mundo”. Entretanto, ainda que os avanços tecnológicas tenha proporcionado ao mundo inúmeros benefícios, houve contrariedade no que tange o direito da liberdade de expressão na internet, provocando a cultura do cancelamento. Nesse contexto, tem se a configuração de um grave problema de contornos específicos na sociedade contemporânea, em virtude da intolerância perante opiniões divergentes e da falta de conscientização da população.
Em primeira análise, é válido salientar a intolerância como uma das raízes do problema. Para o filósofo iluminista Voltaire “A primeira lei da natureza é a tolerância - já que temos todos uma porção de erros e fraquezas”. Com base nisso, pode-se inferir que a cultura do cancelamento na internet é fortemente impactada pela falta de respeito e aceitação dos diferentes posicionamentos postados no mundo virtual, ainda que a Constituição Federal de 1988 garanta o direito à liberdade de expressão aos cidadãos brasileiros. Nesse sentido, o mundo virtual, antes divertido, tornou-se um lugar extremamente tóxico, onde as pessoas ignoram a saúde mental daqueles que escolhem cancelar.
Ademais, pode-se ressaltar a falta de conscientização da população como impulsionador da problemática. Sob essa perspectiva, a frase da série americana “13 Reasons Why” “Ninguém sabe ao certo o impacto que causamos na vida dos outros” cabe perfeitamente. Assim, os “canceladores” ofendem sem dar a chance da vítima se defender ou se desculpar caso algum erro tenha sido cometido, mesmo que no passado. A cultura do cancelamento está presente na internet durante o ano todo, porém tende a ser menor no mês de setembro devido a campanha “Setembro Amarelo”, criada com a intenção de prevenir o suicídio. Todavia, o cancelamento volta a ser frequentemente grave nos outros 11 meses do ano, prejudicando diversas vidas.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Faz-se mister, pois, que as Organizações Não Governamentais (ONGs), em parceria com o governo estadual, providencie palestras em locais públicos de grande grande circulação, para a população em geral, contando com a ajuda de sociólogos e filósofos que debatam sobre a importância da tolerância para a nossa sociedade, enfatizando o uso da mesma nas redes sociais. Além disso, a mídia deve conscientizar a população sobre os impactos negativos de certos comentários na internet, através de propagandas e anúncios em redes sociais, como o Twitter e o Instagram, Espera-se, dessa maneira, que ocorra a limitação desse adverso imbróglio social e que a tecnologia continue a mover o mundo, evitando o retrocesso da humanidade.