Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 20/08/2020

A Constituição brasileira de 1988 assegura a todos os cidadãos o direito de se expressarem livremente. No entanto, observa-se que a cultura de cancelamento nas redes sociais tem gerado o deturpamento da garantia constitucional, tornando-se um problema expressivo ao fazer com que as pessoas deixem de se expressar em função do medo de ser cancelado no meio virtual. Desse modo, relaciona-se o déficit educacional e a insuficiência legislativa ao eixo problemático.

Nesse contexto, de acordo com Sêneca - célebre advogado do Império Romano -, “a educação exige os maiores cuidados, pois influi sobre toda vida”. Sob esse prisma, é importante que a educação dê ênfase à importância de se respeitar a liberdade de expressão alheia – nas redes sociais-. No entanto, é visível que o panorama educacional brasileiro é insuficiente ao abordar eixos temáticos que demonstrem o valor da isegoria, pois, é preferível pelos órgãos competentes que se valorizem conteúdos técnicos. Nessa lógica, o contexto hodierno, torna-se favorável aos cancelamentos virtuais em função da falta de abordagem escolar a conteúdos que reverenciem o valor da liberdade de se expressar. Dessa maneira, o cenário educacional brasileiro contradiz o ideal de Sêneca de se valorizar a vitalidade dos conteúdos educacionais conduzindo os usuários da rede a impedir a livre expressão alheia por meio dos cancelamentos.

Outrossim, é relevante pontuar que em diversas oportunidades os cancelamentos virtuais ocorrem de forma criminosa, tornando-se necessária, a ação da lei para conter a onda de crimes. Nessa lógica, conforme afirmava Montesquieu, “quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se as que lá existem são executadas”. Nessa perspectiva, nota-se que o poder legislativo falha ao executar leis já criadas, o que gera tranquilidade aos infratores pela improbabilidade de infração. Diante disso, torna-se evidente a necessidade de se reparar o rombo na legislação brasileira para que o idealismo de efetivar as leis, previsto por Montesquieu, se execute.

Portanto, é substancial a tomada de medidas para conter a onda de cancelamentos virtuais. Em análise, cabe ao Ministério da Educação, junto às escolas - maior formadora da moral humana-, inserir conteúdos na Base Nacional Comum curricular, por meio de debates com profissionais do ramo educacional, que visem apresentar aos jovens as dificuldades enfrentadas por pessoas que lutaram contra a censura e a importância de valorizar a liberdade de expressão, para que essas pessoas compreendam o motivo que as impedem de realizar futuros cancelamentos. Dessa forma, a livre expressão prevista em Carta Magna será executada sem censura.