Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 20/08/2020

Observando a história das civilizações, vê-se que a natureza humana é inegavelmente sádica. Dito isso, a queima em massa de “hereges” na Europa do século XV, pode ser diretamente referenciada no debate contemporâneo sobra a “cultura do cancelamento”, visto que os princípios são os mesmos: gosto pelo sofrimento alheio e busca do sentimento de superioridade moral. No entanto, ela não traz dignidade a quem pratica, mas exercita seu narcisismo.

Dessa forma, o gosto pelo sofrimento do outro, em parte se deve à ideia equivocada de que há uma razão justa para ataques de larga escala “on-line”, que incluem desde calúnias a ameaças de morte. Assim, o debate sobre esse fenômeno deve ser aprofundado até suas raízes, que findam na natureza hostil do homem, portanto, não há forma de extinguir o problema integralmente.

Ainda assim, o progresso da sociedade evidenciou que, para viver em grupo, o indivíduo deve aprender a conter instintos nocivos às outras pessoas. Nessa linha, filósofos como Rousseau, Hobbes e John Locke, propõem o “Contrato Social”, isto é, submeter-se parcialmente a uma autoridade para que se garanta certa ordem coletiva. Por isso, novas leis punitivas devem responsabilizar, individualmente, os participantes de “cancelamentos” e, da mesma forma, criar recursos como notas jurídicas públicas para restabelecer a integridade dos alvos afetados.

Em suma, o debate da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea raramente leva em conta que o homem é, em certo grau, naturalmente sádico, e também desconsidera que grupos açoitando indivíduos são recorrentes por toda história, e sempre aqueles usando o açoite, acreditam usa-lo por bons motivos. Portanto, cabe aos Chefes de Estado estudarem mais politica, e entenderem, por exemplo, a já citada visão da natureza humana de Hobbes. Assim, a cultura refletirá em uma gestão pública e social que reduzirá histerias coletivas desse tipo, para que todos vivam de maneira mais harmoniosa e democrática.