Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 20/08/2020
A Constituição Brasileira - promulgada em 1988 - garante a liberdade de expressão de todo e qualquer indivíduo sem quaisquer tipo de opressão ou censura, e mesmo permitindo tal poder, existe outra lei que assegura a igualdade e dignidade de todos os indivíduos independendo da sua cor, raça ou gênero. Em uma era digital, em que a internet é vista como “terra de ninguém” não existe uma moral generalizada do que se deve ou não ser dito e muito menos um limite de punições para quem se posiciona de maneira a atingir qualquer grupo social. A grande problemática desse fator é que as consequências, por muitas vezes, podem ir além de um simples cancelamento.
Em primeiro lugar, vale destacar que qualquer posicionamento e opinião advinda de uma pessoa ou grupo social, está sujeita a gerar insatisfação de outros, o que de maneira nenhuma é visto como problema, já que opiniões divergentes são base para uma discussão saudável. Mas diferente disso, estão os posicionamentos que discriminam as minorias sociais e que têm características preconceituosas, nesses casos, além de ser considerado um crime de acordo com a justiça brasileira, passam a ser vistos como uma atitude antiética e imoral. Com a inovação tecnológica e o aprimoramento das redes sociais a visibilidade para tais violações passaram a ter mais visibilidade e assim julgadas por qualquer pessoa que as identificassem como antiéticas.
A liberdade de expressão por muitas vezes é confundida e encarada como a liberdade de opinião, mas para se expressar a lei e a ética definem até onde tais atos podem ir, e quando a lei não age, a internet conecta pessoas de todo o mundo para punir o indivíduo que infringiu com a moral coletiva através de exclusões e até mesmo insultos, o chamado cancelamento. Tal prática, por mais que pareça justa aos olhos de quem a faz, pode gerar consequências por vezes irreversíveis para o “cancelado”, como por exemplo transtornos na saúde mental, possibilidade de um possível desemprego e ser mal visto na sociedade em que vive, afetando inúmeras áreas sociais de sua vida.
Apresentadas as problemáticas, fica evidente que as consequências da prática de cancelamento podem ir além da vida virtual de uma pessoa, atingindo por vezes a carreira e até o psicológico, sendo assim, é preciso que de início, as divergências entre liberdade de opinião e de expressão sejam totalmente esclarecidas para a sociedade através dos mecanismos de comunicação, como por exemplo as emissoras de televisão, e que também o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações estipulem limites para os boicotes na internet, seja através de fiscalização ou bloqueio automático para tais práticas, não isentando o indivíduo que cometer práticas imorais, deixando que órgãos da lei façam esse trabalho, evitando transtornos de ambos os lados na prática de cancelamento.