Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 26/08/2020
O cancelamento é o boicote atual. Surgido com o início da internet, pessoas se reúnem em grupos digitais para cobrar ações de empresas ou indivíduos, os pressionando, e assim fazendo com que a sociedade passe a não emitir mais determinado tipo de comportamento. Porém, essa arma está sendo usada de forma errônea ao cancelar pessoas por erros do passado, as hostilizando e fazendo com que não possam se arrepender de seus erros.
De fato, o cancelamento surgiu com intenções boas. Pessoas abrindo mão, livremente, de consumir determinado serviço ou produto por razões de justiça social, como: machismo, racismo e homofobia. Se sabe, por exemplo, que o movimento contra o ator Kevin Spacey foi um sucesso. Ele foi acusado de cometer pedofilia, depois disso, ele perdeu os contratos que tinha e foi obrigado, por pressão popular, a se retratar em público.
Entretanto, o cancelamento nem sempre é justo. O ator Bruno Gagliasso foi cancelado por postar uma piada homofóbica, mesmo a postagem já tendo 8 anos, ele não foi perdoado pela comunidade. O mesmo aconteceu com o influenciador Cauê Moura, foi cancelado por uma postagem de 9 anos atrás e teve danos financeiros por isso. O humorista Maicon Küster foi cancelado ao ser erroneamente associado por uma reportagem com um pedófilo, mesmo com provas que não era ele o suspeito, e sim que era alguém se passando por ele, alguns não consomem o seu conteúdo.
Concluindo, a chave para contornar essa situação é a moderação e a responsabilidade individual. Para minimizar efeitos negativos da cultura do cancelamento, o Conselho Federal de Psicologia deve, junto ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, produzir material publicitário e didático para a população sobre o cancelamento, a informando do mal que pode ser gerado e atribuindo responsabilidade a cada um pelo seu ato.