Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 27/08/2020
Durante a Idade Média, a Igreja Católica instituiu a perseguição à todos que iam contra os preceitos cristãos, os hereges. Essas pessoas, além de serem queimadas em praças públicas, eram linchadas pela população. Analogamente, a perseguição ganhou novos moldes e passou a se chamar “cancelamento”. Tal prática trouxe consequências terríveis para a sociedade e convém analisar o que a desencadeia: a necessidade de superioridade e o sentimento de justiça social.
É notável que o cancelamento passou a incitar discursos de ódio. Nesse contexto, o filósofo Luis Felipe Pondé afirma que o linchamento traz um sentimento de pureza a que o pratica, ou seja, a sensação de superioridade perante o outro. Seguindo essa linha de pensamento, é perceptível que o ato de cancelar tornou-se uma corrente de ódio e violência explícita, com o objetivo de gerar o prazer da supremacia sob o outro. As consequências, porém, são devastadoras ao indivíduo, que pode apresentar problemas psicológicos, além de perder sua fonte de renda.
Outrossim, a justificativa para o cancelamento permanece na certeza de justiça social para as minorias, porém isso não ocorre mais de maneira efetiva. Como aconteceu com o jornalista William Waack, da rede Globo, que foi demitido após o vazamento de um comentário racista, mas tempos depois foi recontratado. Evidencia-se, desse modo, que ações que deveriam ser analisadas pelo Judiciário, estão, atualmente, nas mãos de um verdadeiro “tribunal da internet”, que além de não permitir a defesa, julga sem precedentes morais, um completo absurdo.
Urge, dessarte, que as plataformas de streaming - Netflix, Amazon, GloboPlay, AppleTV - insiram a temática do cancelamento em seus catálogos, através da inserção em séries conhecidas e aclamadas pelo público. Deve-se mostrar além da demissão e dos boicotes, é necessário focar no abalo psicológico e social que o cancelamento traz. Essa medida têm o objetivo de conscientizar a população sobre as consequências de proclamar o ódio, para que a perseguição permaneça na Idade Média.