Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 29/09/2020

O “Twitter”, microblog criado por Jack Dorsey, surgiu no ano de 2006 com o objetivo de promover interação social entre indivíduos de inúmeras nacionalidades. Em controvérsia a esse ideário, a rede teve seu fundamento subvertido e tornou-se uma ferramenta para a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Sob esse viés, urge avaliar como tal óbice fragiliza a dignidade dos indivíduos e evidencia a maldade humana.

Em primeiro lugar, é importante salientar como deu-se início à cultura do cancelamento de determinadas pessoas no âmbito social. Diante desse cenário, o livro “1984”, escrito por George Orwell, retrata uma população que era convidada pelo Estado a utilizar ao menos dois minutos de ódio por dia diante de uma teletela. Não distante da realidade da obra, atualmente, os indivíduos destinam horas em frente aos seus aparelhos eletrônicos para hostilizar outros. Contudo, visto que o espaço virtual de interação conta com altos contrastes entre ideias e culturas, é fato que as redes sociais formaram-se um meio para a repulsa entre os seres.

Cabe também ressaltar, em segundo lugar, que o choque entre a coletividade reverbera condutas hostis nos indivíduos. Assim, de acordo com o pensamento de Thomas Hobbes, grande filósofo inglês, a natureza humana é marcada principalmente por ser egoísta e dominadora. Para ele, quando guiado por seus próprios impulsos, o homem converte-se no seu próprio lobo. Logo, já que a propagação de ideias no setor virtual possui frequência muito elevada e deixa as pessoas imersas à exposição e dependência da aceitação de tantas outras, sem que haja contato físico ou direto, o que favorece a ocorrência de tribulações como racismo, xenofobia e outros tipos de intolerância por parte de um grupo.

Torna-se evidente, portanto, que a cultura do cancelamento na sociedade atual tem propugnado a vulnerabilidade do homem e explicitado sua crueldade natural. Desse modo, compete ao Ministério da Educação propor campanhas educativas que frisem os danos de ações de suspensão de um indivíduo em todo o território nacional, sobretudo nas instituições de ensino básico, a fim de reduzir a ocorrência da problemática e incentivar o respeito para com o próximo. Além disso, é dever da mídia, usufruindo do seu poder de alcance social, promover movimentos de união entre os internautas para que as redes sociais tornem-se espaços menos agressivos. Só assim, a população se afastará dessa mazela.