Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 09/09/2020
O filme ‘‘Hannah Montana O Filme’’ expõe a vida de uma garota que, para ser famosa, passa por uma cantora inventada e esconde de todos esse segredo, mas após todos descobrirem sua farsa Miley sofre por diversos julgamentos e foi atacada nas redes sociais e mídia. No entanto, fora do cinema, no que concerne à cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, percebe-se a configuração de um problema entrópico e evidencia-se a necessidade de promover melhorias no que tange a questão da sociedade utópica projetada pelos canceladores e a saúde mental dos que sofrem pelo mesmo. Destarte, convém salientar as razões que trazem à tona essa problemática na contemporaneidade.
Nessa perspectiva, percebe-se, na atualidade, pessoas à procura de vidas perfeitas nas redes sociais, principalmente os chamados Geração Z, representados pelos que nasceram na era tecnológica entre 1994 e 2010, no qual vivem da internet e acabam projetando suas vidas em vidas ilusórias mostradas na internet. Nesse panorama, sabe-se que a probabilidade desses jovens se decepcionarem com essa imagem utópica é alta, resultando em julgamentos e ataques principalmente em blogueiras e artistas, como foi o caso da blogueira Mariana Saad, a qual foi cancelada por furar a quarentena em época de pandemia e, por esse motivo, a mesma perdeu diversos contratos e patrocínios com marcas e empresas famosas. Portanto, é necessário sanar com a necessidade de achar que todos da mídia são perfeitos e ter a consciência de que todos estão propícios ao erro afim de evitar julgamentos.
Paralelo a isso, observa-se, atualmente, dentro das plataformas digitais, principalmente Instagram e Twitter, influenciadores digitais expondo sobre depressão e ansiedade cada vez mais. Embora essas doenças não sejam novas na sociedade, é notório o aumento no número de pessoas sendo vítimas delas. Desse modo, a nova cultura do cancelamento agrava ainda mais essa situação, pois os que sofrem disso recebem ofensas e palavras de ódio ferindo diretamente a saúde mental dos mesmos. Exemplo disso é o caso da instagrammer Virginia Wanderley, a qual expôs várias mensagens que estava recebendo diariamente sobre seu corpo e aparência que eram justamente suas inseguranças o qual agravou ainda mais seu laudo depressivo e contou chegar a pensar em suicídio. Assim, é preciso salientar os perigos causados através de palavras depositadas na vida de outrem e o que elas causam.
Logo, é mister que medidas estratégicas são necessárias para combater a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Para alterar esse cenário, urge que o MEC em parceria aos psicólogos da área façam palestras em escolas mostrando os danos e malefícios causados pelo cancelamento e webconferenciá-las, afim de conscientizar todos os públicos sobre o mesmo. Somente assim essa onda de ataques ficará apenas em filmes e minimizada na sociedade atual.