Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 26/08/2020
O mito da caverna, alegoria escrita por Platão, explica a teoria do processo da evolução do conhecimento. Segundo ele, os seres humanos se encontram prisioneiros de uma caverna, em que estão habituados somente a ter uma ilusão do que veem como se fosse a verdadeira realidade. De maneira análoga ao presente, a questão da cultura de cancelamento na sociedade contemporânea pode ser bem representada pelo ‘‘mito da caverna’’, visto que esse é um grave problema que vive às sombras da sociedade, em razão da falta de debates sociais e da negligência estatal.
A priori, é necessário ressaltar que um dos principais impasses para a quebra da cultura é a dificuldade social de lidar com opiniões e contextos diferentes. Consoante a esse pensamento, o filósofo alemão Hans Jonas diz que uma sociedade saudável deve ser capaz de reconhecer e corrigir as suas enfermidades sociais, de modo que haja a quebra do ciclo e resolução do impasse. À luz disso, embora o objetivo inicial da cultura de cancelamento fosse criticar atitudes errôneas das pessoas públicas, ela se tornou um mecanismo de opressão e combate a toda opinião contrária ou aversiva. Diante disso, cabe o reconhecimento da sociedade sobre suas seleções de intolerâncias.
Além disso, faz-se mister destacar que a ação de cancelar um indivíduo na internet gera uma exposição sem seu consentimento. Diante disso, a Constituição de 1988 assegura a inviolabilidade da honra e da imagens das pessoas, entretanto, o Estado negligência esse direito. Dessa forma, uma vez que o estado se isenta de cumprir os seus direitos com a sociedade ele rompe com o seu dever social, contribuindo para o aumento da cultura do cancelamento, uma vez que não aplica os instrumentos necessários para garantir a integridade moral dos indivíduos. Desse modo, faz-se urgente a revisão estatal sobre o seu papel social para cumprir os seus deveres.
Neste prisma, medidas são necessárias para resolver o impasse do aumento da cultura de cancelamento. Nesse viés, o Ministério da comunicação, junto ao Estado, deve criar medidas de investimentos em políticas de conscientização social, por meio de uma proposta de lei a ser entregue à Câmera dos Deputados. Nela deve constar que deve haver uma campanha social nas redes sociais sobre os malefícios da cultura de cancelamento para a saúde mental e evolução individual, com fito de tirar a sociedade das sombras e mostrar a realidade do outro individuo que passa por isso, sabendo que o estado tem papel essencial na resolução deste impasse.