Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?

Enviada em 11/01/2021

No mito da Caverna de Platão, após conhecer o mundo real, o prisioneiro retorna a caverna para contar para os outros prisioneiros sobre uma realidade que eles nunca tiveram contato, no entanto, sem dar margens para o novo, os homens permanecem acorrentados na ignorância. Fora do contexto filosófico, a retórica a respeito da obrigatoriedade da vacinação indica a carência do saber sobre os benefícios do imunizante e o retrocesso nos avanços da saúde.

A princípio, pode-se destacar que muitos cidadãos brasileiros desconhecem as vantagens da vacina. Nesse sentido, a falta de saber a respeito da temática permite a propagação de movimentos antivacinas com maior facilidade, que desconstroem os ganhos preventivos da população. Tal consequência já foi contada na história brasileira, a qual devido a falta de informação sobre os meios de imunização de patologias, os indivíduos desencadearam uma guerra para não serem obrigados a se vacinarem. Todavia, anos após a revolta da vacina a carência instrucional corrabora a não proteção.

Além disso, é lícito postular que a vacinação é um dever de todos os cidadãos. Isso porque, para que haja uma real proteção contra um agente infeccioso, todos os indivíduos precisam estar imunizados de forma a garantir o cinturão de cobertura. Por esse viés, com a diminuição dos seres resistentes as doenças há uma facilitação na mutação do vírus, por exemplo, e seleção do mais resistente, acarretando na propagação de um patógeno ainda mais difícil de combater. Dessa forma, ocorre a ressurgência de doenças já erradicadas na comunidade, como é o caso da poliomelite. Logo, percebe-se um retrocesso na prevenção coletiva.

Urge, portanto, uma medida que vise garantir a obrigatoriedade da vacinação sem que o cidadão comum se sinta lesado pelo Estado de direito. Para isso, as instituições escolares, como provedoras do conhecimento, precisam instruir os alunos a respeito do funcionamento da vacina, por intermédio de aulas engajadas no tema e discursões nas salas de aula, para que desde cedo o indivíduo aprenda a necessidade da imunização para o coletivo. Concomitantemente, a mídia - como propagadora de informação - precisa veicular a importância da ação comunitária do cinturão de proteção, por meio de postagens nas redes sociais de cunho social, objetivando o entendimento dos internautas sobre o fato de ser mais fácil prevenir do que tratar o doente. Dessarte, o cidadão brasileiro sairá da caverna da ignorância para uma sociedade protegida, sem a necessidade de obrigar o ser a se prevenir.