Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?

Enviada em 10/01/2021

Charles Bell – pintor e cirurgião inglês -, em sua obra “Opistótono”, retrata a intensa dor de um indivíduo infectado com a bactéria causadora do tétano. Hodiernamente, o tétano – assim como diversas outras enfermidades -, apresenta uma solução preventiva: a vacinação. Entretanto, infelizmente, grande parte populacional não adere às campanhas de imunização, tornando necessária uma intervenção estatal com intuito de afirmar a obrigação da vacina. Desse modo, tem-se a falta de conhecimento do processo biológico como principal motivo da ausência da vacinação, fato que, consequentemente, engendra o reaparecimento de doenças já erradicadas.

Em primeira instância, a falta do conhecimento biológico apresenta-se como protagonista da “não vacinação”, visto que, o indivíduo deixa de se imunizar por não acreditar na eficácia da vacina. Nesse sentido, o sociólogo Emile Durkheim sustenta que o ser humano só tende a agir na medida em que aprende o contexto em que está inserido. Tal teoria assegura-se ao analisar os atuais “movimentos antivacinas”, que disseminam informações falsas sobre a imunização - como, por exemplo, a errônea associação da tríplice viral com o autismo, publicada pela revista cientifica “Lancet”. Nesse viés, essa delicada situação explicita a tamanha problemática recorrente em escala global.

Além disso, a grande consequência que reafirma a necessidade de obrigação vacinal é o reaparecimento de doenças outrora já erradicadas. Nesse prisma, o sociólogo George Santayana deferi que os indivíduos que não aprendem com o passado estão condenados a repeti-lo. Dessa maneira, é possível relacionar a teoria de Santayana com os dados da Fundação Oswaldo Cruz, que afirmam que no ano de 2020 ocorreu mais de oito mil casos de sarampo em terras tupiniquins – doença, que segundo a Organização Mundial da Saúde, estava erradicada desde 2016.

Contudo, torna-se conspícuo a indispensabilidade de medidas com intuito de tornar a vacinação obrigatória. Nesse prisma, cabe a organizações sociais sem fins lucrativos – como o Lions Clube -, por meio de campanhas educativas com profissionais da saúde, o esclarecimento do processo biológico da imunização, com desígnio de minimizar os “movimentos antivacinas” e justificar a importância da vacina. Ademais, o poder legislativo por meio do Senado Federal deve consentir a obrigação da vacina, e, somado a isso, os órgãos de trabalho e estudo – seja público ou privado – devem obrigar a checagem na carteira de vacinação antes da efetivação do cargo administrado, com a finalidade de evitar futuras disseminações de doenças. Por fim, quadros artísticos como o “Opistótono” poderão se tornar, de vez, erradicados.