Cuidado com a saúde: A vacinação deve ser obrigatória?

Enviada em 07/01/2021

Um artigo médico da revista “Lancet”, escrito pelo inglês Andrew Wakefield em 1998, causou reboliço social ao relacionar a aplicação da vacina anti-sarampo ao autismo em crianças, deixando pais apavorosos quanto a campanhas de imunização. Analogamente, a sociedade brasileira atual compartilha desse mesmo pavor, causado pela desconfiança com relação aos efeitos colaterais provenientes da vacinação. Destarte, necessita-se analisar como o compartilhamento de informações falsas, assim como o crescimento dos movimentos antivacinas, contribuem para a falta de cuidado da população com a saúde.

Em uma análise mais aprofundada, observa-se que a promoção de informações falsas é um agravante desse problema. De certo, a grande quantidade de informação sobre a procedência de vacinas e possíveis decorrências delas, impulsionada pelo uso dos meios digitais de comunicação, dificulta a certificação das fontes de acesso. Sob tal ótica, vale lembrar o conceito do sociólogo polonês Zygmunt Bauman sobre modernidade líquida, onde a massiva onda informacional atrapalha a separação entre fontes confiáveis e enganosas. Assim, o acesso e o compartilhamento de notícias falsas sobre a segurança da vacinação pública contribuem para a construção de uma identidade negativa quanto a sua veracidade e utilidade, fazendo com que menos pessoas procurem imunização.

Outro aspecto que deve ser apontado como agravante do problema é a popularização dos movimentos antivacinas, que influenciam a sociedade a duvidar de campanhas públicas de vacinação, taxando-as como desnecessárias e maléficas ao corpo humano. Nesse contexto, a sociedade dividiu-se entre os indivíduos que acreditam na ação e nos benefícios da vacina e os que desaprovam esse meio imunizador e lutam pelo fim de campanhas públicas. Como consequência disso, o que se presencia no tempo presente é o reaparecimento de doenças já erradicadas no passado, tendo como exemplo o sarampo, que mantinha-se ausente na capital São Paulo, mas voltou a apresentar novos casos, de acordo com dados do Ministério da Sáude.

Em virtude dos argumentos supracitados, depreende-se que a vacinação obrigatória é um meio preventivo para assegurar a saúde da sociedade. Sendo assim, é dever do Poder Público, a caráter do Ministério da Saúde, informar a população sobre os reais benefícios da imunização, por meio de um aplicativo de celular capaz de reunir informações úteis e de fonte verídica sobre as diversas doses de vacinas e suas importâncias, a fim de que haja uma gradativa conscientização referente às campanhas de vacinação públicas. Dessa forma, o Brasil caminhará para um futuro mais saudável e duradouro, paralelamente a uma constante valorização do serviço público de sáude.