Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 20/05/2020

A ilha de utopia idealizada por Thomas Moru, retrata a existência de um lugar onde todos os membros da sociedade recebem a mesma educação e a partir dai, as virtudes poderiam ser adquiridas. Entretanto, a pratica educacional brasileira deturpa a Teoria de Moru, uma vez que há um abismo na  preparação dos jovens de escola publica em relação aos de escola privada para conquistarem vagas em universidades, além de ainda haver nessas instituições, uma disparidade de oportunidades entre pessoas de etnias diferentes. Essa realidade distópica é fruto de uma cultura meritocrática e de um histórico escravocrata. Logo, urge a necessidade da analise acerca dos entraves desta problemática.

Em primeiro lugar, é digna a menção da desigual oferta de ensino de qualidade - desde seu início - para os jovens brasileiros. A vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808, foi responsável pelo impulsionamento da educação básica, mas tinham acesso apenas a minoria dominante. Nesse cenário, a organização social escravocrata sustentada por uma economia agrícola, dispensava a alfabetização da massa popular, para que a submissão e dependência destes para com a elite aristocrata fosse facilitada. Assim, concretizou o distanciamento das classes sociais mais baixas e de das oportunidades de aprendizado e, consequentemente, reflete na situação desfavorável frente à  um futuro profissional, visto que, os indivíduos são avaliados meritocraticamente, considerando que a sociedade por completo, parte de um mesmo patamar socioeconômico.

Somada a essa ideia,  ainda há indivíduos de etnia negra em maior desvantagem histórica, dado que a abolição da escravidão no Brasil foi promulgada a menos de 150 anos. Atualmente, a população negra, majoritariamente, ocupa as classes mais baixas da sociedade, o que explica não a sua incapacidade intelectual, mas sim a injustiça de desconsiderar os privilégios sociais das pessoas brancas. Conforme afirmou Aristóteles, é preciso tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida exata de sus desigualdades, validando, pois, a imposição de cotas como medida de reparação e da garantia da equidade.

Diante desses impasses, é percebível que as cotas, tanto por renda quanto por etnia, são necessárias para inclusão dos indivíduos desprivilegiados socioeconomicamente. A fim de ampliar o acesso destes no ensino superior e oferecer melhores oportunidades de vida, as instituições federais, por seu dever social e educacional, devem agregar a ampliação de disponibilidade de vagas para cotistas, abrindo mais turmas por semestre. Ademais, cabe as empresas midiáticas juntamente com as prefeituras municipais produzir propagandas que serão transmitidas nos canais abertos informando sobre a necessidade e a importância das cotas, minimizando assim a aversão à elas.