Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/09/2019

Na crônica “ Abolição e Liberdade” de Machado de Assis, é dado de forma sucinta as condições de desigualdade social e preconceito as quais foram sofridas pelos negros após a abolição dos escravos em 1988. Fora da obra, é de fato que tal realidade apresentada assemelha-se com as atuais condições sociais dos negros, os mesmos que hoje decorrente a tal fato histórico vivem nas margens da sociedade. Contudo, em busca de corrigir injustiças históricas provocadas pela escravidão na sociedade brasileira, foi adotado o sistema de cotas nas universidades, visando equilibrar por meio da educação diferenças sociais históricas de variáveis raças.

Vale ressaltar, em primeiro plano, a imparcialidade na afirmação das cotas. Isso ocorre principalmente devido a falta de conhecimento e negligência dada a uma parcela da população, a qual não usufruem do saber histórico colonial sistemático do país e de sua estrutura social, que se tratou de opressão e o privilégio de um grupo racial, os brancos, em detrimento de outros. Seguindo tal raciocínio dizia Nelson Mandela que a educação é a arma mais poderosa a fim de mudar o mundo, logo, em busca da inclusão de todas as raças de forma igual na sociedade, a cota apresenta uma ação afirmativa que visa diminuir as distâncias, no caso das universidades, na educação superior.

Em segundo plano, as disparidades de qualidade entre os ensinos primários e secundários públicos e privados mostram a fragilidade da educação brasileira, a qual aqueles com maior nível socio- econômico possibilitados a usufruir do ensino particular apresentam 66% de aprovação nas universidades públicas segundo o IBGE. Contudo, em consequência de ações estruturais na colonização brasileira, negros e pardos representam menores rendas por cidadão, logo, tendo em vista maiores porcentagens destes no ensino financiado pelo governo e menores aprovações em ensinos superiores públicos. Portanto, dado a tais estatísticas, a ideologia do filosofo inglês Thomas Robert é vista no modelo social brasileiro, cujo pensamento visa o crescimento de indivíduos de maiores capitais de forma P.G e os de menor P.A.

Conforme informações supracitadas, fica evidenciado o caráter de inclusão das cotas em universidades, logo, a fim de maior eficiência, o Ministério da Educação deve fortalecer ainda mais ações afirmativas por meio de investimentos com objetivo de abranger ainda mais vagas, haja vista a garantia do papel de integração das cotas. Ademais, o mesmo órgão pode realizar mais campanhas de conscientização por intermédios da mídia, a fim de evidenciar a importância das cotas sobre a redução do preconceito.