Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 25/09/2019

Muito se tem discutido, recentemente, sobre a adoção de políticas de cotas raciais e sociais brasileiras, utilizadas pela maioria das universidades, as quais reservam até 50% das  vagas para cotistas: negros, pardos, indígenas e alunos de escola pública, por meio de um  processo de ingressão que privilegia um público-alvo específico. Esse benefício é justificado pelas autoridades governamentais pelo fato das escolas públicas serem mais precárias quanto a infraestrutura e ao aprendizado do que os colégios particulares, e também, pela escravidão vivida pelo país, argumentos considerados desvantajosos pelos governos estaduais. Apesar do Brasil investir  na educação cerca de 5,7% do Produto Interno Bruto, o investimento do país é insuficiente para a necessidade da população. Dessa forma, pode-se concluir, de acordo com o pensamento de  Rousseau, que o homem brasileiro, apesar de nascer livre, encontra-se acorrentado por toda parte, pois não é capaz de corrigir suas falhas, o que é o mesmo que cometer novos erros, como por exemplo, a Lei de cotas para o Ensino superior.

Primeiramente,  a Lei de Cotas deve ser abandonada, pois esconde a triste realidade brasileira: o Governo Federal não recebe retorno do investimento feito na educação, devido à corrupção e à uma má administração, o que gera novos problemas, como uma demanda educacional a ser suprida e uma desvalorização cada vez maior dos professores  pelos governos estaduais e pela população, frutos de tempos em que essa área não foi prioritária no país. Como os erros não são corrigidos, os estudantes de escolas particulares, cujos pais lutam para  proporcionar um meio social e educacional  melhor para os filhos, são obrigados a tirarem notas mais altas do que aqueles beneficiados pelas cotas, o que retrocede a qualidade dos cursos, pois há uma discrepância quanto a qualificação estudantil.

Ademais, essa medida  não mimetiza as consequências da  escravidão  instauradas na sociedade, já que a desigualdade social continua elevada, pois segundo o último Relatório de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas, o Brasil, que antes ocupava a 10% posição, é o 9º país mais desigual do mundo. Outro motivo é a diferenciação dos  negros, pardos e índiginas das demais raças, por afirmarem que eles têm menos condições intelectuais de entrarem em uma universidade, por causa do  meio em que estão inseridos. Isso é contestável, pois de acordo com a Instituição Brasileira, todos são iguais perante a lei, logo, todo indivíduo tem a mesma capacidade de raciocínio e aprendizado.

Portanto, cabe à população brasileira, lutar para melhorar o meio político e social em que essas e demais parcelas sociais se encontram, por meio de protestos e de exigências aos Governos Estaduais e Municipais quanto à investimentos na educação e em demais áreas públicas, os quais devem ser feitos junto com o oferecimento gratuito de cursos pré-vestibulares, a fim de evitar desigualdades.