Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 01/10/2019

A dívida histórica que a sociedade brasileira carrega é inquestionável, principalmente quando o assunto é negros e índios. Essas duas classes raciais foram as mais exploradas e maltratadas em toda a contextualização do Brasil. Conforme os princípios de Max Weber, os processos e fenômenos sociais são dinâmicos e mutáveis, que exigem como necessidade a interpretação, a fim de reconhecer seus sentidos. Dessa forma, demonstra a importância da reflexão e discussão sobre as cotas nas universidades, visto que abrange totalmente o quesito social, além de ser indispensável a melhora que tal situação proporciona, como a redução da desigualdade coletiva.

Nesse contexto, uma grande parte da população (majoritariamente branca) julga como incorreto o estabelecimento das cotas para a iniciação do curso superior em universidades públicas. O argumento mais utilizado para defender esse ponto é de que tal situação desenvolve uma injustiça, que afeta a meritocracia. Contudo, essa alegação não tem fundamento, já que a parcela populacional que usufrui da condição, estabelecida por lei, em 2011, é prejudicada desde o inicio da educação. Por conta da herança cultural, o público negro é basicamente excluso das classes mais altas da sociedade, estando muito presente também na condição de precariedade de renda. Nessa situação, os jovens encontram-se sem um rumo predestinado, submetendo-se a realidade do crime, por exemplo. Com uma importância dada a esses cidadãos, por meio da cota, os estudantes notam uma esperança, trazendo motivação para conseguir criar um futuro melhor.

Outrossim, a tentativa de abolir o sistema de cotas tem como fundamento a opinião de que as mesmas geram a diminuição da qualidade do ensino. Entretanto, segundo um estudo feito pelas Universidades do Rio de Janeiro e de Campinas, 49% dos cotistas passaram direto no primeiro semestre, contra 47% dos ingressantes regulares. Além disso, no início de 2010, as instituições constataram que, após o início das cotas, o índice de reprovação e taxa de evasão escolar decresceram, demonstrando o benefício gerado por meio da ação afirmativa.

Portanto, medidas são necessárias para que não haja desistência do projeto. Todavia, não mudará a situação se caso o Governo Federal não disponibilizar investimentos para o Ministério da Educação, para que fortifique o ensino público básico, fazendo com que o jovem não dependa totalmente da universidade para “entrar na sociedade”, conseguindo visibilidade antes. Ademais, não haverá credibilidade dos cidadãos caso a mídia não divulgar os dados que comprovam as melhorias sociais por conta de tal política, além de demonstrar as dívidas históricas, apresentando a importância das minorias.