Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 01/12/2020

O sistema de cotas ou de ações afirmativas é um sistema que reserva uma porcentagem das vagas nas universidades a um determinado grupo de pessoas, essas mesmas cotas estão ainda distribuídas em cotas raciais e cotas sociais destinadas a alunos negros, pardos e indígenas no primeiro caso, e pessoas com baixa renda, provenientes de escolas públicas ou com deficiências no segundo. O sistema de cotas é uma política pública de extrema importância no Brasil, que ajuda a reparar as desigualdades, além possibilitar uma maior chance de pessoas que normalmente não entrariam na universidade conseguirem alcançar essa conquista.

Primeiramente é necessário estabelecer que, é visível a diferença entre o ensino médio de uma escola particular e uma escola pública, sendo o da escola pública inferior. E que a maioria das vagas em universidades púbicas são ocupadas por alunos que estudaram em escolas particulares, como nos mostra o IBGE com dados de 2013 afirmando que  59,9% dos alunos das redes federais  provinham do ensino médio de escolas de iniciativa privada.

Segundamente, o sistema de cotas enfrenta diversas críticas, sendo refutado principalmente pelo uso de argumentos baseados em meritocracia, entretanto para que o sistema de ingresso nas universidades seja devidamente meritocrático, é necessário que se alinhem os candidatos no “ponto de partida”, que nesse caso, é o trabalho efetuado pelo sistema de cotas, reservando uma porcentagem das vagas às pessoas com condições adversas, para que assim disputem entre si a vaga na universidade, e não contra pessoas que tiveram privilégios durante toda a vida como aconteceria num sistema de concorrência geral.

Em suma, é necessário reconhecer que o Brasil, embora seja o segundo país com a maior quantidade de pessoas negras segundo a Fundação Cultural Palmares, e 24% dos brasileiros possuírem alguma deficiência segundo o IBGE, este ainda é um país extremamente racista e capacitista, o que interfere diretamente na dificuldade do ingresso de pessoas negras, pardas, indígenas e ou com algum tipo de deficiência no ensino superior.

Por conseguinte, se faz necessário que  o governo brasileiro por meio do Ministério da Educação juntamente ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos trabalhem para a manutenção e maior efetividade das políticas de cotas no Brasil. Aumentando o número de cotas nos programas de ingresso á universidade como SISU e PROUNI, além de conscientizar a população brasileira por meio de propagandas na grande mídia sobre o que são e a importância da politica de cotas. Objetivando assim que a população brasileira apoie cada vez mais essa política e o Brasil possa caminhar rumo a um futuro com maior igualdade em relação ao acesso a universidade.