Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

Cotas: a revolução silenciosa no Brasil que incluiu milhares de negros no ensino superior

“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado”, a frase de Albert Einstein, físico renomado do século XX, retrata a realidade que muitos jovens negros vivenciam no seu dia-a-dia. Essa frase pode ser, também, usada quando direcionada à entrada de estudantes classificados negros nas universidades por meio das cotas raciais, coisa que muitos julgam como retrocesso, sendo, na verdade, uma avanço, uma inclusão de um grupo muitas vezes negligenciado pela cor de sua pele.

Dessa maneira, a presença de cotas nas universidades representa uma inclusão de pessoas de cor preta - de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - na sociedade, uma vez que introduz uma classe minoritária com baixa expectativa de crescimento profissional, devido e uma sociedade estruturalmente racista, no ensino superior e posteriormente no campo profissional.

Ademais, a existência de cotas é ,ainda, motivo de debate entre a população; aqueles que são contra usam de argumento a meritocracia, que consiste no merecimento como a principal característica para atingir o sucesso. No entanto, esse termo não encaixa-se para todos os grupos, haja vista que aqueles pertencentes à comunidade negra apresentam obstáculos a mais que outros grupos, como o racismo, sendo o racismo um crime prescrito pela lei n. 7716/1989, realizado por meio da verbalização de uma ofensa ao coletivo, ou atos como recusar acesso a estabelecimentos, além de ser inafiançável e imprescritível.

Já dizia, portanto, Monteiro Lobato: “Um país se faz com homens e livros”, a partir disso medidas precisam ser tomadas para que o preconceito daqueles contra as cotas raciais sejam extintos. Cabe ao Ministério da Educação, junto com o Ministério da Cultura criar assembleias e palestras em universidades para estudantes, professores e população em geral explicando a importância da existência de cotas, e como elas contribuem positivamente ao país como um todo. Além disso, cabe aos meios midiáticos fazerem a cobertura desses eventos, e os apresentando em rede nacional, incentivando a diminuição da segregação racial nos centros educacionais e de trabalho.