Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 01/12/2020
O debate sobre as cotas nas universidades ser algo positivo ou negativo pode acarretar em diversas opiniões e interpretações, se é algo que tira a vaga de alguém que se esforçou mais, se é algo que diminui aquele que utiliza o sistema de cotas porque supostamente este não seria bom o suficiente para conseguir uma vaga com sua nota e outras, mas o ponto principal a ser analisado e extremamente validado é do porquê das cotas existirem.
Haja vista que algumas décadas atrás a população preta era proibida de frequentar escolas e universidades, causando uma grande lacuna de desigualdade na qualificação desses povos em comparação com aqueles que estudavam normalmente, gerou-se numa marginalização dessa minoria incluindo povos pardos, indígenas e de baixa renda, fazendo com que tivessem que aceitar empregos que pagassem menos ou até mesmo a se sustentar com base na vida do crime, excluindo essa população dos centros urbanos onde o preço para se viver é mais caro e os levando para as periferias onde as condições de vida e oportunidades são ainda menores. Logo, as cotas não são um retrocesso e sim uma reparação histórica de inclusão social que acontece para garantir que esta minoria de pretos, pardos, indígenas, estudantes de escolas públicas e de baixa renda possam ingressar nas universidades públicas.
Ainda que as cotas façam diferença para estes estudantes, a raiz do problema ainda não foi resolvida, que se trata da educação pública de qualidade, do mesmo nível ou melhor que o de uma privada e que garanta a formação do indivíduo não só como aluno mas como pessoa, que faça o que talvez seus pais não puderam fazer por ele pois eles mesmos sofreram com esta falta de inclusão quando foram jovens.
Sendo assim, é necessário que ocorra não somente um melhor e maior investimento levado à sério na educação pública no Brasil, mas como também a propagação deste debate e das informações acerca deste assunto nas escolas e em meios midiáticos de comunicação, assim como maior acessibilidade à cursinhos preparatórios para vestibulares que podem ser implementados em escolas e universidades públicas para jovens de famílias que não têm renda para arcar com os gastos e mensalidades de um cursinho particular.