Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 01/12/2020

Há muita discussão a respeito de cotas raciais para ingresso em universidades. Tal assunto é presente de forma constante no social, desde em debates acadêmicos, até nas redes sociais. Pode-se afirmar que esse é um dos assuntos que gera maior discordância entre as pessoas, visto que, em especial nas mídias, há grande número de posicionamentos que se diferem, alguns contrários e outros favoráveis à política. A grande questão que permeia as discussões é se as cotas são formas efetivas de inclusão, por supostamente prejudicarem pessoas verdadeiramente merecedoras da vaga.

É importante frisar que, ao contrário do que se pensa, nunca houve uma política de inclusão de pessoas negras na sociedade brasileira após a abolição da escravidão. Os “ex-escravos” e seus descendentes, devido à carência de recursos econômicos, foram periferizados. E mesmo após 200 anos, essa realidade não mudou. Dados do IBGE afirmam que pessoas pretas e pardas compõem aproximadamente 75% da população periférica no Brasil. Por outro lado, representam apenas 30% dos mais ricos. Também é possível observar a desigualdade no meio político. Os Ministérios e o Senado da gestão do governo Bolsonaro, por exemplo, até o mês de novembro de 2020, eram totalmente compostos por pessoas brancas. Todos esses dados fazem parte de uma sociedade na qual 55% da população como um todo é de pessoas negras.

Portanto, após a consideração de tais fatores, é impossível negar a diferença de oportunidades entre pessoas . Em um país cujo racismo é tão enraizado e estrutural, não há espaço para a consideração de um sistema meritocrático. A cantora Bia Ferreira expressa em suas composições, por exemplo em “Cota não é esmola” a realidade vivenciada por pessoas negras no Brasil.