Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

A música “Cota não é esmola”, da cantora Bia Ferreira, apresenta a história de uma garota que enfrenta as dificuldades na sua formação acadêmica por ser negra, pobre e periférica. A música retrata os estigmas sobre o sistema de cotas, as dificuldades financeiras e os desestímulos que afetam negativamente seu acesso a formação de nível superior. Fora da poesia musical, as populações menos favorecidas ainda enfrentam dificuldades para conquistar vagas em instituições superiores de ensino como, meritocracia no sistema de seleção aliado à formação em escolas públicas com estrutura inferior às escolas particulares e, por isso, as cotas aumentam as chances dessas populações acessarem o ensino superior.

Em primeiro lugar, é necessário destacar que o sistema de seleção das universidades públicas é feito de forma igual para todos os candidatos e, assim, quem teve melhores condições de se preparar conquista as vagas. De acordo com uma pesquisa publicada pela revista Veja, alunos de escolas particulares tem maior acesso às universidades públicas, já os alunos da rede pública precisam recorrer a faculdades particulares. Isso porque existe desnível entre formação pública e privada e somente as cotas dão oportunidade a variados grupos étnicos e de diferentes níveis econômicos à formação superior na rede pública.

Ademais, o sistema de ensino público ainda deixa a desejar na qualidade do ensino. Para o economista Willian A. Lewis a educação não seria apenas um gasto governamental, mas um investimento no futuro da sociedade. Porém, o ensino da rede pública ainda não se equipara ao ensino particular, haja vista o resultado da pesquisa apresentada anteriormente, sendo necessário o sistema de cotas para incluir a todos no ensino superior.

Portanto, é necessário que o Estado tome providências para mitigar o quadro atual. Para dar oportunidade de toda a população acessar o ensino superior, o Ministério da Educação deve, por meio de regulamentos, manter em todas as universidades públicas cotas para negros,