Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 01/12/2020
Leis de cotas são ações afirmativas que visam diminuir as disparidades econômicas, sociais e educacionais entre pessoas de diferentes etnias raciais, disponibilizando 50% ou mais vagas a estes indivíduos. Atualmente, esta medida tem ganhado notoriedade, oferecendo uma intervenção à diminuição de duas problemáticas brasileiras: a segregação socio-racial e a inferioridade da educação pública. Logo, é fundamental que o sistema de cotas funcione já que, ainda hoje, observa-se um grande desnível entre a quantidade de brancos e não brancos nas universidades. De início, cabe destacar que o sistema de cotas é de extrema importância para o aumento da inclusão dessas minorias nas universidades. Segundo o sociólogo brasileiro Florestan Fernandes, existe uma interseção entre classe social e cor, sendo a população pobre, marginalizada e excluída, em geral, não branca. Similarmente, é possível observar que as periferias e escolas públicas são ocupadas principalmente por pessoas negras, pardas e de baixa renda. Desse modo, torna-se imprescindível a continuidade e melhoramento dessa lei. Outrossim, a falta de investimentos do Estado na educação pública dificulta a inclusão dessas minorias nas universidades federais gratuitas. De acordo com dados do instituto brasileiro de geografia e estatística (IBGE), negros, pardos e indígenas encontram-se, ainda, fortemente excluídos do ensino superior. Dessa maneira, é possível inferir que o escasso empenho do Estado na educação primária pública faz perdurar essa segregação social, já que apesar do aumento do número desses indivíduos nas universidades após a introdução da lei de cotas, não há igualdade. Portanto, evidencia-se que as cotas nas universidades são inclusivas, porém devem ser melhorados alguns aspectos problemáticos para que sejam mais efetivas. Dessa forma, cabe ao Governo e as instituições de ensino ampliar o numero de vagas para cotistas, principalmente nas universidades publicas, que são gratuitas, a fim de tornar as chances de brancos e não brancos ingressarem na faculdade equitativas. Além disso, é dever do Ministério da educação junto as Escolas publicas promover uma educação de qualidade aos seus alunos, com aulas regulares, material didático bom e professores qualificados, com o intuito de diminuir o desnível entre os alunos das escolas particulares e os alunos das escolas públicas.