Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 01/12/2020

Historicamente, o Brasil se desenvolveu como país sobre uma estrutura caracterizada pela desigualdade social e étnica. Essa disparidade permeia diversos âmbitos da sociedade, principalmente no que diz respeito ao acesso à universidade. Diante dessa realidade, surgiram as cotas sociais e raciais, que são tentativas de democratizar o ensino superior, ou seja, de criar uma educação viável e mais inclusiva.

O documentário nacional intitulado “Pro Dia Nascer Feliz” retrata a realidade do sistema educacional brasileiro e como ele se apresenta para cada estrato da sociedade. A partir do mesmo, é notável que dentro do núcleo de educação básica, existe uma enorme discrepância na qualidade de ensino e na estrutura escolar a que alunos de classes socioeconômicas distintas estão inseridos. Os ensinos particulares são relativamente melhores e mais acolhedores, entretanto, eles são menos acessíveis.

Os alunos que possuem acesso ao ensino particular possuem aquilo que o sociólogo francês Pierre Bourdieu chamou de capital cultural. O capital cultural é o repertório sociocultural de um indivíduo que possibilita ao mesmo uma mobilidade social. Alunos de escolas privadas possuem um capital cultural mais amplo e abrangente quando comparado com os alunos de escolas públicas e, por isso, possuem mais facilidade e maiores oportunidades para ingressar nas universidades.

Sendo assim, dentro desse contexto de assimetria educacional, as cotas são essenciais, pois representam um método eficaz e direto de proporcionar uma possibilidade aos menos afortunados. Dessa forma, é imprescindível que o Ministério da Educação amplie as vagas oferecidas a cotistas e, paralelamente, faça investimentos significativos para melhorias estruturais nas escolas públicas de ensino básico. Essas medidas permitirão uma democratização e inclusão ainda maior e, assim, todos os cidadãos que desejarem cursar o ensino superior terão oportunidade para tal.