Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 30/11/2020
Na terceira geração do Romantismo, o escritor Castro Alves transfere para seus poemas a difícil realidade dos navios negreiros. Africanos de pele retinta retirados do seio de sua pátria e tratados como animais para serem escravizados no Brasil. Nesse sentindo, nos dias atuais, ainda existe uma herança histórica desse preconceito sendo a criação de cotas uma forma de: diminuir as desigualdades e permitir que o jovem mulato mude a marca da escravidão de 1870.
Em primeira análise, é indubitável que existe uma grande desigualdade social no Brasil. Isso decorre de uma cultura de supremacia racial embutida desde a Guerra de sucessão. Um exemplo disso é o grupo narcisista kan klux klan que prega o ódio contra a pele negra até os dias atuais. Em razão disso, a criação de cotas e medidas de apoio para essa minoria racial discriminada é necessária para que a democracia seja efetiva, ou seja, para que o governo seja para todos. Não é á toa, então, que Marthin Lucther King afirmou: " Eu tenho um sonho, um sonho de que a sociedade seja democrática a ponto de negros e brancos terem as mesmas oportunidades". Sendo assim, integrar o cidadão de pele retinta através de cotas é a única maneira de pagar a dívida histórica de escravidão.
Além disso, não se pode deixar de mencionar que o estudo é a única arma capaz de mudar uma nação. Isso acontece porque o conhecimento desperta o sentido de justiça e favorece a capacidade de enriquecimento no sistema capitalista atua. Logo, permitir que os jovens negros periféricos tenham facilidade ao acesso a educação é contribuir para que eles mudem a narrativa de suas origens. Na canção “Cota não é esmola” Bia Ferreira mostra através da poesia a dificuldade que é conviver com necessidades básicas e ter que estudar. Dessa maneira, promover políticas públicas de inclusão é promover apoio a população extremamente discriminada e marginalizada.
Torna-se evidente, portanto, que medidas como cotas são necessárias para a inclusão social. Em decorrência disso, o Governo Federal e o Ministério da Educação devem, a fim de diminuir as desigualdades, promover maior fiscalização por meio de questionários e uma paleta de cores no ato da matrícula para que não haja fraudes no processo seletivo, como forma de manutenção do direito a cota racial, bem como para deficientes e indígenas. Somente assim, a sociedade será mais igualitária e democrática e a dívida histórica sanada.