Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 30/11/2020
Em virtude do cenário atual de educação, percebe-se que as oportunidades entre ricos e pobres são absurdamente distintas. Enquanto a elite brasileira possui fortes condições financeiras para o ingresso em instituições de qualidade, indivíduos segregados e marginalizados restringem-se ao precário ensino público brasileiro, o que ocasiona em extremas desigualdades de oportunidades enfrentadas entre ambas as classes. Com o exposto, a criação da Lei de Cotas foi essencial, como medida imediata, para uma maior oferta igualitária no que diz respeito à ascensão e oportunidades profissionais a qualquer cidadão.
Após a Lei de Cotas entrar em vigor em agosto de 2012, dados apresentados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apontam que o ingresso de estudantes pobres cresceram 400% entre 2004 e 2013. Portanto, tais informações apresentam, de maneira clara, que o pouco acesso dos desfavorecidos na educação não ocorre pela falta de interesse, mas sim de oportunidades. A discriminação, sobretudo para indivíduos pretos, pardos e indígenas, está presente constantemente nas sociedades, de modo com que são excluídos de redes de ensino de qualidade e, por conseguinte, em importantes mercados de trabalho.
Acrescido a isso, as cotas sociais representam os motivos de sua própria existência. O abismo existente entre escolas públicas e particulares fornecem, claramente, oportunidades distintas a estudantes de classes sociais diferentes. Sem as cotas para os estudantes de classes sociais menos favorecidas, vagas nas melhores universidades continuarão sendo conquistadas por candidatos com melhor condição financeira, os quais poderiam bancar um ensino privado de qualidade, bem como cursos preparatórios para vestibular, ao passo que o indivíduo marginalizado luta para contribuir financeiramente junto à sua família mesmo durante os estudos.
Com isso, pode-se concluir que a adoção do sistema de cotas contribui significativamente para a inclusão de pessoas de distintas classes sociais e, por conseguinte, de diferentes oportunidades. Em suma, cabe ao Governo Federal, como medida imediata, realizar a implantação de tais medidas relacionadas ao âmbito racional e financeiro, em larga escala e de maneira obrigatória, em institutos universitários. Acrescido a isso, cabe ao Estado realizar fortes investimentos nas áreas de educação pública em regiões periféricas, de modo a ampliar a igualdade socioeconômica e educacional do país, o que faria com que a desigualdade de oportunidades para o ingresso de indivíduos de distintas etnias e condições financeiras decrescesse potencialmente.