Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

‘‘As portas foram abertas e agora é o momento do negro ser negro, assumir as cores, os cabelos, as formas." , frase dita pela grafiteira Thamyra, no documentário da Netflix : ‘‘Afronta’’. Em que mulheres negras contam suas histórias nas escolas, universidades e na sociedade. Pode-se então analisar a importância das cotas pela construção histórica, social e educacional imposta ao negro e pobre.

Antes, precisa se entender o porquê das cotas. O documentário retrata a trajetória de mulheres negras para chegarem na posição em que estão. Seus tataravós e até seus pais não tiveram oportunidades, e por quê? Pois desde que o Brasil passou a ser colonizado pelos portugueses, o racismo em território brasileiro também foi instaurado. A história dos negros é injusta e sangrenta, escravos eram trazidos de diversos lugares do mundo, com a justificativa de que eram pretos e portanto inferiores e portadores de uma moléstia inaceitável. Eles trabalharam sem salário, sem comida descente, sem casa, sem liberdade e sem estudo. Em razão disso, os netos dos escravos, bisnetos e até tataranetos cresceram com essa realidade, sem qualquer oportunidade de entrar em uma universidade.

Vê-se então que as cotas são uma ação criada pelo governo brasileiro, a fim de garantir o ingresso em faculdades públicas pelos negros, pobres e deficientes. Uma reportagem feita pelo jornal ‘’O globo’’ mostra o sucesso de tal iniciativa, pois, cerca de 50,3% dos estudantes dessas universidades são negros, que pela primeira vez ultrapassa o número de brancos. Tal feito, talvez, não teria sido possível sem as cotas (que diminuem a nota de corte dos cursos), em razão das discrepâncias históricas e educacionais já retratadas pelo IBGE (O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2019, que demonstra que aproximadamente 1 a cada 5 negros terminam a escola e 4 a cada 5 negros terminam a escola. Com base nisso, a adoção de cotas sociais e raciais são alternativas mais abrangentes para os alunos mais afetados pelo sistema.

Em virtude desses fatos, é portanto, explicado o porquê das cotas serem resultado de uma inclusão.m Afim de reverter a evasão dos pobres e negros em universidades públicas deve-se manter as políticas e cotas e fazer o nivelamento escolar entre escolas públicas e privadas, por meio de investimentos em livros e salários aos professores, pelo Ministério da Educação em parceria com os prefeitos das cidades. Desta forma as cotas sociais não seriam mais necessárias, uma vez que o ensino fosse igualitário. Deixando então, não só portas, mas portões abertos para a educação e oportunidades.