Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 30/11/2020
De acordo com dados do IBGE, em 2011, do total de 8 milhões de matrículas, 11% foram feitas por alunos pretos ou pardos, já em 2016, esse percentual subiu para 30%. Tal crescimento deve-se ao fato da instituição da Lei nº 12 711, em 2012, que passou a reservar vagas para estudantes da minoria brasileira. Dessa maneira, as cotas podem ser vistas como um meio de inclusão para garantir novas oportunidades aqueles que possuem menos recursos.
Vale ressaltar que a lei em questão foi sancionada no governo de Dilma Roussef e reserva, no mínimo, 50% das vagas para o alunado de escolas públicas, sendo eles, pretos, pardos ou indígenas. Além disso, é importante lembrar que as cotas são ações afirmativas que procuram amenizar as questões sociais, econômicas e históricas que existem no país, além de buscar representatividade em diversos setores. Tendo em vista que a falta de oportunidades faz com que muitos cidadãos brasileiros se refugiem no mundo do crime ou em trabalhos insatisfatórios ,tal fato é representado com excelência na obra de Jorge Amado, “Capitães da Areia”, torna-se ainda mais importante a existência das cotas para reverter essa questão.
Ademais, o Brasil possui uma imensa dívida histórica com o povo negro, diante toda opressão e preconceito vigente no país. É importante lembrar que até os anos 50, o afrodescendente era proibido, por lei, de frequentar uma escola pública. Diante tanta desigualdade, é possível vencer pela meritocracia ? A resposta é não, visto que as condições de estudo não são as mesmas, visto que o preconceito ainda tem voz no país. A série da Netflix, “Cara Gente Branca”, mostra pessoas de cor lidando e tentando se comunicar com uma sociedade, no meio universitário, que nem sempre abre espaço para elas, situação que é recorrente para os brasileiros.
Segundo Florestan Fernandes, a educação é a peça-chave para promover-se uma verdadeira democracia no Brasil. Para isso, torna-se necessário incluir as minorias , ainda mais, nos meios acadêmicos, diante disso, a população precisa entender que as cotas não são um retrocesso, mas sim, um meio de inclusão, que tem o poder de democratizar a sociedade e melhorar a educação brasileira.
Dado o exposto, torna-se evidente que um maior debate precisa ser aberto sobre essa questão, para isso, as escolas e universidades devem promover palestras e minicursos que mostrem as diferenças existentes no país e a desigualdade social que tanto afligem algumas pessoas, dessa maneira, o estudante passará a entender que as cotas não estão ali para roubar suas vagas, mas sim, para buscar um meio acadêmico mais igualitário e uma oportunidade de vida melhor para aqueles que não possuem uma boa condição financeira.