Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

As cotas são uma alternativa de reparo, em resposta ao racismo velado existente no Brasil e consequentemente, às desigualdades sociais, portanto, não há como ser um retrocesso, dado a existência de uma sociedade estruturalmente racista que, trouxe consigo a marginalização da população negra, negando a elas direitos básicos desde a abolição da escravidão em 1888 e dessa maneira, a desocupação nos espaços de poder intelectual, como as universidades.

Segundo a interpretação da canção de Bia Ferreira, “Cota não é esmola”, demonstra que a ausência de pessoas negras em espaços acadêmicos é fruto de uma meritocracia inexistente no Brasil, uma vez que, quem nasce preto e pobre, não obtém os mesmos privilégios de quem pode escolher, somente estudar e dedicar-se ao futuro universitário e quem, por não escolha, necessita trabalhar desde cedo para contribuir com o sustento da família.

Quando entendemos o racismo como uma estrutura, ao analisarmos os espaços em que as pessoas negras ocupam na sociedade, fica evidente que as pessoas brancas são as privilegiadas por essa estrutura, posto que, em ambientes academial, a população negra é ainda minoria.

A inclusão dos excluídos socialmente e etnicamente dos meios estudantis, acarretam em diversas consequências dentro deste meio, visto que cotistas são frequentemente subestimados intelectualmente, devendo valorizar-se ainda mais a posição conquistada, o que resulta, positivamente no destaque do desempenho destes alunos. Podendo ser mencionado também, a questão da negritude no Brasil, posto que, negros brasileiros, primeiramente, passam por um processo de reflexão de identidade, para então compreender o motivo de estar ingressando nas universidades através das cotas. Há também, a descrença da capacidade desses profissionais, uma vez formados com o auxílio das leis de cotas, desqualificando todos os anos de estudos adquiridos.

Em vista disso, as cotas foram criadas para resolver um objetivo que é a equidade dentro desses espaços intelectuais, portanto, somente devem ter seu fim, quando esta equidade for alcançada. É imprescindível que as oportunidades continuem acontecendo, para que mais pessoas negras - e também de outras etnias - ocupem ambientes acadêmicos, para que isso ocorra, é fundamental que o Estado mantenha as leis de cotas e através da integração com o movimento negro, possam criar mais alternativas para que a igualdade seja total, e não algo que beneficie uns e prejudique outros. As leis de cotas, é uma resposta contra o racismo e não o contrário, desta forma, não é uma esmola que comprovaria a inaptidão da população negra.