Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

Equidade de oportunidades

Desde o início da implantação das cotas nas universidades públicas essas medidas de inclusão social sofreram diversas críticas negativas por parte da população de maior poder aquisitivo, devido ao discurso da meritocracia e dos princípios de igualdade por eles defendido.

Em um país em que a maioria da população é negra ou parda descendente de escravos africanos e somente uma pequena parcela consegue concluir o ensino superior (geralmente em universidades particulares) se faz necessária as políticas de acessibilidade ao ensino superior em universidades públicas, uma vez que a dívida histórica e a marca da escravidão ainda permanecem enraizadas estruturalmente na sociedade, como o preconceito racial, o menor poder aquisitivo e dificuldade no acesso a educação de qualidade.

No Brasil muito se contestou acerca das políticas de cotas nas universidades públicas devido ao discurso de redução na qualidade dos profissionais a serem formados a partir dessa política e com relação a meritocracia. Com relação ao primeiro caso, as análises realizadas pela Unicamp e a UERJ demonstraram serem infundadas a premissa de que  alunos aprovados por meio das cotas formaria profissionais menos capacitados  e menos comprometidos com a sua formação. Nessas análises pode se verificar que os alunos provenientes das cotas obtiveram performance superior aos alunos não cotistas. O discurso da meritocracia também se mostra equivocado, pois, não se deve comparar as condições e a qualidade do estudo oferecido em colégios particulares com os disponibilizados na rede pública de ensino, além da discrepante realidade cotidiana vivenciada pela população negra de baixa renda, que em sua maioria, os jovens precisam trabalhar e não possuem tempo suficiente para se dedicar aos estudos.

Sendo assim, o emprego das cotas raciais se tornaram uma ferramenta fundamental na promoção da equidade de oportunidades, pois garante que jovens negros possam concorrer as vagas nas universidades públicas de forma condizente com a sua realidade. No entanto, para que o ciclo seja concluído a mesma política deveria ser aplicada também em processos de recrutamento de jovens nas empresas e assim quebrar o ciclo vicioso criado após o fim da escravidão em que a população negra é a base da pirâmide social.