Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

Durante o Ciclo de Açúcar, período colonial em que a produção açucareira representava fortemente a economia do Brasil como colônia, o uso de mão de obra escrava africana se tornou cada vez mais intensa. O tráfico de escravos africanos era extremamente rentável gerando lucros de até 500%, o que hoje configura em crime pela comercialização de outros seres humanos. O negros trazidos da África eram separados de seu lar e levados em condições insalubres, e ao passar dos anos as condições permanecerem expressivamente inferiores em comparação à elite majoritariamente branca, sendo que durante um longo período pré-república, a matrícula de negros em escolas públicas era proibida. Logo, a necessidade de cotas, além de urgente, é uma forma de ressarcir um povo oprimido por muito tempo.

Não somente um questão racial, as cotas hoje usadas também tem questões sociais, onde o ensino público ofertado apresenta um abismo entre o ensino particular. A falta de material e de recursos é pauta frequente nas escolas públicas, e em regiões mais afastadas é mais frequente ainda a falta de estrutura, como falta de carteiras, quadros, paredes e tetos severamente avariados, trazendo riscos aos alunos e funcionários. Isso se reflete no desempenho, 91% abaixo da média nacional de aprovação no Enem. As cotas funcionam, não somente para garantir uma oportunidade para os estudantes de escola pública, como também para maquiar a ineficiência do governo para com a educação.

Em contrapartida, as cotas garantem uma maior representatividade de populações mais carentes em universidades, e em consequência, no mercado de trabalho. Jovens de periferia e jovens negros teriam chance de se tornarem médicos, advogados, engenheiros e outras profissões antes resguardadas para uma pequena parcela mais abastada e branca. Além de uma educação mais democrática, os resultados das cotas trazem um combate para o preconceito enraizado na população brasileira. Segundo os estudos de Florestan Fernandes e Roger Bastide, a pedido da ONU na década de 50, o caso brasileiro de racismo é de forma velada, devida uma forte desigualdade racial. Com isto, uma democratização de ensino é uma forma eficaz de combater essa disparidade.

Enfim, considerar uma solução mais urgente para o sucateamento do ensino público justifica as cotas nas universidades, contudo não representam uma verdadeira solução na crise da educação qual vem sido vivenciada e afirmada pelo baixo desempenho desses alunos. Diferente das cotas raciais, quais expressam uma confissão da desigualdade racial em nosso país e também uma forma de solução para tal. Cabe ao Conselho Nacional da Educação manter as cotas raciais e promover aparelhos para aumentar as chances de ingresso nas universidades para alunos da rede pública, como aulas exclusivas e aprofundadas para o vestibular para alunos do terceiro ano.