Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

As cotas nas universidades são reflexos de um Estado falho que não é capaz de fornecer um ensino público básico de qualidade para sua população. No entanto, elas têm sua importância, principalmente no que tange a inclusão da população mais pobre no ensino superior, porém, se o principal problema (educação básica sucateada) não for resolvido, as cotas nunca serão mais do que medidas paliativas que servem para mascarar o grande problema da educação pública brasileira. Logo, visto por esse espectro, as cotas podem ser consideradas um retrocesso.

Em primeiro lugar, antes de fundamentar a tese supracitada, é importante diferenciar as cotas em sociais e raciais. Quanto a primeira, ela tem uma justificativa plausível - oferecer oportunidade equitativa, independente da etnia, para a população com menor condição financeira ingressar no ensino superior. Enquanto as cotas raciais, justificam-se para incluir, nas universidades, grupos raciais desfavorecidos. Este tipo de cota traz consigo um grande problema: quem define a “raça” de uma pessoa? Já houve um caso de dois irmãos gêmeos idênticos, um foi considerado negro e conquistou direito à cota o outro não.

Além disso, segundo o economista Thomas Sowell em seu livro “Ações Afirmativas ao Redor Mundo”, as cotas raciais reafirmam o racismo, isso porque no longo prazo a sociedade cria uma ideia de que uma pessoa só está na universidade porque faz parte de um grupo cotista e não por seu mérito. Porém, muitos que defendem esse tipo de cota justificam que ela serve para reparar os danos históricos contra população negra, o que de fato deve ocorrer. Entretanto, seria muito melhor oferecer um ensino básico de qualidade para essa população, inclusive criando meios de incentivo ao estudo, pois qual sentido de oferecer cotas se muitos nem conseguem terminar o ensino básico.

Dessa forma, considerando-se os aspectos mencionados, fica evidente que para as cotas terem sua função teórica posta em prática, deve ocorrer primeiro uma melhoria do ensino básico público. Por isso, o Ministério da Educação deve criar um programa de ensino online gratuito, para complementar o ensino presencial. Esse progrma deve ser composto por vídeo aulas de todos os assuntos cobrados em vestibulares, livros digitais e listas de exercícios, além disso ele deve garantir a democratização do acesso à internet . Assim, a população que não tem condicções de custear cursos pré-vestibulares, teria um preparo justo e as cotas sociais teriam sua função comtemplada.