Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 30/11/2020
Segundo Émile Durkheim, a sociedade é como um corpo humano, sendo necessário o funcionamento de diversos fatores para que haja perfeita harmonia. Neste sentido, é válido compreender que as cotas nas universidades têm o papel de amenizar as disparidades presentes no país, proporcionando um equilíbrio ao coletivo. Dessa forma, tais ações é uma maneira de incluir a todos no ensino superior de um modo equitativo e justo. No entanto, devido ao racismo e à desigualdade social, várias pessoas são coibidas de exercerem esse direito sendo, pois, de suma importância a solução desses problemas.
A princípio, vale destacar que o mito da democracia racial surgiu para omitir a discriminação presente no Brasil. Dessa maneira, Gilberto Freyre em “Casa Grande e Senzala” sintetizou o termo supracitado defendendo que a mestiçagem existente na sociedade brasileira contribuiu para que exista uma igualdade entre as etnias. Entretanto, ao verificar o acesso às universidades antes das cotas, vê-se que não há equidade entre as oportunidades para os diferentes povos e, por isso, foi preciso criar medidas que amenizam tais disparidades. Nesta perspectiva, é indignável que ainda existem argumentos contra a efetivação de ações afirmativas no ensino superior, pois se número de ingressantes pretos nas faculdades aumentou foi em virtude das cotas raciais.
Ademais, é indubitável ressaltar que a desigualdade social contribui para que não haja as mesmas oportunidades entre as pessoas.Desse modo, Rousseau argumenta que é dever do Estado estabelecer medidas que garantem estabilidade à população. Levando isso em conta, é possível analisar que em diferentes contextos, as cotas têm significados diferentes e, por esse motivo, sua discussão deve ser feita de forma relativista. No cenário de desigualdade, é necessário compreender a realidade vivida pelos brasileiros, os quais, muitos deles, dependem de ações governamentais para transformarem suas vidas.