Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

A seleção natural de Charles Darwin, afirma que os organismos mais aptos a viverem em determinados ambientes sejam selecionados e perpetuem a sua espécie; teoria que inspirou posteriormente a ideia de meritocracia, a conquista do sucesso mediante o esforço próprio. Entretanto, na sociedade brasileira hodierna a qual é extremamente desigual e com distintas realidades, as cotas nas universidades tornou-se necessária, com o objetivo de equilibrar a competição do vestibular e estimular melhorias no ensino educacional.

Cabe pontuar, a priori, que a tentativa de reparação de injustiças é um dos propósitos dessa medida. De fato, sabe-se que , embora em 1888 tenha sido concedido a libertação dos escravos, não houve a inclusão desses por intermédio de políticas públicas ou mobilização social. Nesse contexto, a comunidade afrodescendente se desenvolveu de maneira segregada nas periferias ou favelas, isto posto, as cotas tornaram-se essenciais para a introspecção de muitos jovens no ensino superior. Além disso, segundo a pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, alunos cotistas valorizam sua vaga e obtém desempenho igual ou superior aos demais graduandos em 95% dos cursos; o qual demonstra que tal medida tem obtido resultados.

Por outro lado, a questão da busca por mudanças na educação brasileira ainda é um entrave. Isso porque, ao invés de estimular o progresso do ensino público, as cotas geraram um comodismo nos gestores e tal evolução permanece no papel. Outrossim, consoante a perspectiva do filósofo Karl Marx, para que haja a meritocracia é inquestionável fornecer iguais condições a todos, como por exemplo, que um adolescente pobre tenha acesso a uma educação de qualidade e seja bem preparado para o vestibular. Dessa forma, ações são imprescindíveis para que as cotas sejam apenas uma medida temporária que servirá de suporte para a instauração de um sistema de ensino justo e igualitário.

Depreende-se, portanto, que o Executivo Federal via Ministério da Educação, invista na modernização e no crescimento da educação pública, com profissionais capacitados, materiais didáticos atualizados, reforma nos prédios das instituições e aulas interativas (com auxílio da tecnologia, arte, teatro, música e dança), os quais despertem o interesse dos alunos pelo conhecimento e do compromisso com os estudos, com a finalidade de tornar o ensino público tão bom ou melhor que dos colégios privados. Também, é indubitável mostrar a o as consequências das cotas  na inclusão de muitos jovens e reforçar essa medida como passageira até a transformação do sistema educacional. Afinal, como dito por Aristóteles :devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, segundo a sua desigualdade; e conceder uma preparação justa e equitativa a todos. população