Coronavírus: impactos da pandemia na economia

Enviada em 03/07/2020

O Vírus Econômico

O novo Corona Vírus, o COVID-19, nos atacou de forma lenta, mas enfrentou uma reação mais lenta ainda: o mundo como um todo demorou meses para entender que a situação viria a ficar muito crítica. Com isso, além das consequências óbvias - pessoas doentes, mortos e sistema de saúde superlotado - vem também consequências na economia. E o pior: não se tem perspectiva de melhora. O governo deverá, nos próximos meses, tomar decisões assertivas a fim de salvar os brasileiros de uma situação pior.

Segundo dados do Fundo Monetário Internacional, a tendência é de que o Brasil tenha um recuo nas atividades econômicas de 5,9%. Esse valor numérico parece pouco, mas na verdade, representa muito: para um país emergente que mal estava se levantando de uma crise, é uma diminuição na economia brutal. E para piorar tudo, o governo cada vez mais se coloca em profunda crise política, com um presidente cujas declarações apenas criam polêmica e cujos funcionários (mais especificamente, ministros) cada vez mais se mostram instáveis no cargo.

Tendo em vista nossas circunstâncias, pensa-se: há alguma boa notícia? Na verdade, há sim. Desde abril, o IBOVESPA mostra sinais de melhora. Após ter passado por uma grave queda no início do ano, o índice está mostrando sinais de melhora. Em outras palavras: as empresas estão lutando para permanecerem vivas, e algumas têm conseguido. Isso indica que, apesar da nossa situação deprimente, temos alguma esperança de melhora. Porém, isso de pouco adianta se continuarmos nesse cenário político. Com governantes cada vez mais indecisos e instáveis, é difícil termos uma melhora consistente.

O Brasil tem condições de se recuperar no médio prazo dessa crise. Mas essas condições só virão a tona se o governo parar de cometer deslizes insanos, como, por exemplo, demitir e recontratar ministros em massa, e começar a se unir como Estado para poder reparar a crise. Se gastos forem cortados massivamente, é possível manter o auxílio emergencial e os investimentos na saúde, freiando diversos efeitos nocivos dessa crise. Apenas com bom senso político o país se recuperará solidamente. Caso contrário, é plausível imaginarmos um breve futuro de extrema miséria para muitos mais brasileiros.