Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 21/05/2021

É perceptível que o uso da tecnologia está cada vez mais difundido dentro da sociedade e que ao longo dos anos se tornou uma ferramenta útil não só para jovens e adultos, mas também para crianças. Embora seja uma boa forma de aprendizado e entretenimento, pode-se dizer que é uma plataforma repleta de conteúdo inadequado e que pode ser prejudicial a esse novo público. Para que a inocência dessas crianças seja preservada, é necessária a presença de um acompanhamento que não as reprima, mas que as oriente conforme os perigos e benefícios oferecidos pela rede.

Em primeiro lugar, vale citar que o controle parental é um importante mecanismo de prevenção às ameaças encontradas na internet. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, 85% das crianças brasileiras já estão conectadas e expostas a todo o conteúdo ali existente, que ao mesmo tempo que é composto por vídeos educativos e jogos infantis, é abrigo, também, para a pornografia, para a violência extrema e que pode chegar até a casos de pedofilia. Uma exemplificação dos efeitos da falta de supervisão pode ser vista na série “Lei e Ordem: Unidade de Vítimas Especiais”, quando um pedófilo utiliza um jogo online como forma de atrair uma vítima e consegue, visto que ela não havia recebido o ensino necessário para lidar com estranhos no meio virtual. Sendo assim, é fato que essa supervisão não pode ser algo ausente.

Além disso, é importante destacar que o monitoramento excessivo não é a melhor forma de se lidar com esse tipo de situação. A internet é um lugar de fácil acesso e proibir uma criança de acessar determinados sites não a impedirá de fazer isso quando a mesma encontrar uma oportunidade estando sozinha ou entre amigos. Ao invés de estabelecer uma relação de fiscalização, manter um diálogo saudável e contínuo e criar um ambiente de confiança é o melhor caminho para um enfrentamento consciente dessas questões, conforme explica a psicóloga e especialista em parentalidade positiva Fernanda Teles. Desse modo, fica evidente que o controle parental deve ser feito, mas com uma abordagem consciente.

Assim, pode-se entender que é necessário que a supervisão para com crianças no meio digital deve ser realizada de forma amigável e didática. Às famílias, cabe a discussão e o ensinamento quanto aos perigos encontrados no meio digital, que deverá ser feito a partir de conversas amplas que expliquem o que a criança deve ou não fazer quando se encontrar em casos de insegurança online, incluindo, também, um ensino sobre o cuidado que precisam ter ao acessar sites e chats incomuns, a fim de que essas crianças estejam conscientes do que devem ou não pesquisar e de que possam reconhecer possíveis sinais de perigo.