Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 20/05/2021
A internet é um mundo em constante expansão, e com ele, novos perigos surgem para internautas (em destaque os mais novos) assim como as ferramentas para controlá-los. No entanto, até onde deve ir o controle parental diante de possibilidades inéditas de riscos e soluções?
A superexposição infantil é uma das maiores causas dos problemas cibernéticos. Apesar das redes sociais e demais plataformas exigirem uma idade específica ou requerimento da autorização parental, muitas crianças não a seguem corretamente e poucas sabem como agir corretamente. Com isso, são inseridas de forma precoce e desprevinida no meio digital, sendo expostas e por vezes sem supervisão apropiada ou responsável. Em citação, o caso da youtuber “Bel” do canal “Bel Para Meninas”, em que a menor foi constrangida publicamente e houve intervenção judicial.
Além das redes sociais, os jogos online apresentam graves problemas de segurança e privacidade, visto que o uso inadequado e a falta de moderadores virtuais possibilitam o compartilhamento de informações pessoais e da pedofilia. Podem ainda incluir conteúdos sexuais e violentos, em que a forma de denúncia dos usuários a promoverem tal comportamento é ineficiente. A exclusão do acesso infantil ou controle excessivo, entretanto, acarreta na ocultação de seu uso, em que se perde a relação de honestidade com seus responsáveis e de sua conscientização. Os recursos para prevenção se utilizados de maneira exarcebada, são também capazes de afetar a saúde mental do menor ou a sua percepção de perigo, visto que não é concedido confiança e oportunidades para aprendizado.
O crescimento tecnológico viabilizou avanços e empecilhos para seus utilizadores. A linha tênue entre prevenção e invasão de privacidade de menores, na medida que que programas e aplicativos oferecem controle parental. Contudo, a maneira mais eficaz de preservá-los é saber prepará-los. O acesso aos dispositivos e seus derivados deve ser definido pela faixa etária da criança, assim como o tempo de uso. Manter conversas saudáveis e preventivas são extremamente importantes, já que a essência da segurança não está no controle, mas na supervisão de adultos e consciência do jovem. Através da experiência, a criança aprende a “filtrar” e identificar riscos, assim como reportará questões como “cyberbullying” para seus responsáveis. O engajamento em outras atividades que não são virtuais também os afastam do meio, como socialização e esportes, indispensáveis para o desenvolvimento. Além do gerenciamento familiar, o Ministério da Educação pode atuar fornecendo palestras e material educacional sobre o assunto, assim como a Delegacia Da Criança e Do Adolescente participe orientando os pais sobre os procedimentos necessários.