Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 15/12/2020
Diante das inúmeras situações vivenciadas pela sociedade hodierna, cabe ressaltar a importância da interferência dos pais no que concerne ao uso da tecnologia, uma vez que, apesar da Constituição Federal assegurar o direito à segurança, na prática essa premissa não é cumprida, bem como em razão do insuficiente hábito de diálogo acerca dos perigos da internet, muitas vezes, os jovens são expostos a casos degradantes. Para tanto, urgem atos mais contundentes do Poder Público, em concomitância com a sociedade civil, com o escopo de mitigar esse imbróglio do país.
Nessa perspectiva, é válido destacar que, apesar da Constituição do Brasil- promulgada em 1988- considerar como inalienável aos cidadãos o direito à segurança, efetivamente essa premissa não é desempenhada. Essa conjuntura ocorre devido à ineficácia da legislação, o que ocasiona na exposição dos jovens a vários riscos na internet, como a importunação sexual, demonstrando o quão crucial é o acompanhamento por parte dos responsáveis. Esse contexto permite estabelecer um paralelo com a obra do jornalista brasileiro Gilberto Dimenstain, visto que disserta em seu livro “O cidadão de papel” sobre as situações em que as leis existem apenas no " papel", não sendo executadas adequadamente. Logo,é fundamental que medidas sejam implementadas, objetivando garantir os direitos dos cidadãos .
Ainda, sob esse mesmo viés, é relevante considerar o pouco costume relacionado a debates como propulsor para a existência de riscos na internet, posto que os indivíduos não são alertados sobre os perigos que podem surgir. Tal situação torna possível relacionar esse problema com a teoria do sociólogo francês Pierre Bourdier, pois considera que as realidades são internalizadas e, por fim, reproduzidas pelos cidadãos como um hábito, sendo a pouca deliberação sobre as problemáticas existentes no meio digital um exemplo, o que ressalta a importância da interferência dos pais. Dessa forma, é essencial a atuação dos órgãos formadores de opinião para reverter esse costume.
Portanto, é perceptível a necessidade de ações mais enfáticas em prol da segurança na internet. Para isso, faz-se fundamental que o Poder Público, por meio do Ministério da Educação, promova palestras e mesas-redondas periódicas nas instituições educacionais, sendo ministradas por profissionais qualificados, tendo como público-alvo os estudantes e seus respectivos núcleos familiares. Essa diligência tem o fito não só de esclarecer a respeito dos direitos dos cidadãos, mas também de estimular maior discussão sobre os riscos relativos ao uso das tecnologias. Apenas assim, poder-se-á consolidar uma realidade em que o infortúnio acerca da internet seja sanado.