Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 16/11/2020

Observa-se que, no Brasil, têm ocorrido muitas discussões acerca do controle parental em relação ao uso da tecnologia, visto que, apesar de muitos acharem ser invasão de privacidade, os pais estão apenas prevenindo seus filhos de situações nefastas. Isso é evidente devido à práticas de pedofilia e ao acesso para abertura de sequestros, mostrando a necessidade de soluções.

De acordo com a Constituição Federal de 1988, apelidada de cidadã, a segurança e o acesso a dignidade humana é um direito do cidadão. Devido a isso, verifica-se que todo indivíduo, em especial crianças, deveriam ter sua segurança preservada. No entanto, isso não ocorre, uma vez que muitos usuários da internet veem o público infantil como uma parcela da população mais vulnerável, de fácil manipulação. Sendo assim, o indivíduo com algum distúrbio mental ou comportamental, pode colocar a criança em um cenário perigoso, como o abuso e a exploração da vítima. Logo, muitos pais até permitem o uso de celulares para seus filhos, mas com tempo limitado e conteúdo monitorado, de forma que ocorra, por conseguinte, a prevenção e proteção, assim como o defendido pela Constituição.

Nesse viés, à luz da socióloga Hannah Arendt, em sua tese de “Banalidade do Mal”, quando o mal se instala em um lugar sem que ocorra a reflexão de determinado assunto, há a tendência de ocorrer a trivialidade da maldade e a normalização dos problemas. Dito isso, é notório que o uso precoce de redes sociais e meios tecnológicos, como o celular, já se tornou um hábito entre as crianças, uma vez que pais se acostumaram com essa nova realidade. Entretanto, seus filhos ficam propensos a sofrerem sequestros e ataques, gerando uma isca de extorsão dos responsáveis, devido a alta exposição e falta de fiscalização dessas redes. Dessa forma, a prevenção quanto ao controle parental sobre o uso de tecnologias é uma medida cabível, visto que essa supervisão equilibrada pode afastar a realidade de banalização das mazelas sociais discutidas.

É necessário, portanto, que o governo, aliado às mídias sociais, promova campanhas educativas e informativas para reverter tal problemática. Essa ação será feita por meio de palestras, no meio físico e no cibernético, com psicopedagogos e profissionais do setor midiático, os quais irão debater sobre o controle parental adequado e as maneiras corretas de conduzir essa atitude sem prejudicar a privacidade da criança, objetivando a prevenção de riscos. Tal conduta terá como intuito promover a criticidade social dos pais e orienta-los de maneira mais cuidadosa possível, só assim para minimizar o elucidado pela socióloga Hannah e afirmar os direitos da Constituição.