Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 07/10/2020
De maneira análoga ao que ocorre na Primeira Lei de Newton, a lei da inércia, a qual afirma que o corpo tende a permanecer em movimento até que uma força suficiente atue sobre ele, mudando seu percurso, a ineficaz prevenção referente ao controle parental quanto ao uso de tecnologias é um problema que ainda existe. Com isso, ao contrário de atuarem como fatores aptos a mudar a rota da persistência para o fim, a sociedade exausta e a trivialização do mal contribuem com a mazela vigente.
Em primeira instância, o texto “exaustos-e-correndo-e-dopados”, escrito pela jornalista Eliane Brum, defende que o hodierno corpo social está dopado, pois apenas desse modo para continuar exausto e correndo. Dessa maneira, a sociedade do cansaço, como descrita pela autora, não detém tempo e disposição para supervisionar, com intuito de proteger, as redes sociais e os conteúdos consumidos pelos menores, fato que possibilita a liberdade quanto ao uso da tecnologia. Logo, tais questões desencadeiam indivíduos sujeitos a informações alienadoras, por exemplo, os padrões de beleza, que, muitas vezes, culminam no sentimento de inferioridade e de insuficiência, a qual acarreta o aparecimento de doenças psicossomáticas, como no caso da depressão e da fobia social.
Em consonância a isso, de acordo com a filósofa Hannah Arendt em sua tese “Banalidade do Mal”, a falta de reflexão perante assuntos sociais, como averiguado no ineficiente controle parental relacionado ao consumo de tecnologia, resulta na instalação do imbróglio que estrutura, assim, a trivialização do mal. Ademais, a ausente reflexão sobre esse problema é justificada pela teoria da “Modernidade Líquida”, elaborada pelo sociólogo Zygmunt Bauman, que expõe a sociedade dopada ao individualismo, já que os laços afetivos fragmentados geram cidadãos egocêntricos. Dessa forma, a carência de cuidado no que se remete ao uso tecnológico pode implicar a exposição de dados pessoais que, em conjunto com a inocência dos usuários, facilita as aliciações promotoras do sequestro, da violência sexual e de outros acontecimentos de alto risco.
Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de remodelar a trajetória e, por conseguinte, mitigar essa calamidade. Dessarte, é de extrema importância a atuação do governo, na figura do Ministério do Bem-Estar Social (MBES), com a promoção de campanhas educativas e informativas. Essa ação será realizada por meio de palestras, no meio físico e no meio cibernético, com psicólogos, os quais debaterão acerca da necessidade do controle parental e do errôneo trajeto do uso tecnológico. Tal feito terá como intenção propor a correta conduta a ser efetivada e formar a disciplinaridade populacional a fim de minimizar os efeitos negativos desse empecilho. Somente assim, o governo será a força anuladora da naturalização da sociedade individualista e cansada.