Consequências da ocupação urbana desordenada
Enviada em 31/05/2021
No filme “Parasita”, ganhador do Oscar de 2020, é retratado uma família que vive em condições de miséria e pobreza numa moradia praticamente subterrânea. Tal cenário ocorre devido a dificuldade encontrada por esses indivíduos em garantir uma boa residência frente a uma enorme concentração urbana no local em que vivem. Embora seja uma obra ficcional, o filme apresenta características que se assemelham ao atual contexto brasileiro, pois, assim como na obra, pelo país não ter tido um planejamento urbano voltado para a população, problemas socioambientais e ocupações desordenadas, agora, compõem a rotina de diversos núcleos familiares nos dias de hoje.
Em primeiro plano, aponta-se que um processo precoce de urbanização em um local não preparado para receber este fenômeno, culmina em prejuízos mais focados à parcela mais pobre do país. Segundo a historiografia, o Brasil deparou com o inchamento das suas cidades com o êxodo rural e a consequente queda na qualidade de vida dos indivíduos que residiam nesses locais. Nesse contexto, o surgimento de periferias e cortiços em lugares como morros ou edifícios abandonados tornou-se comum nas grandes metrópoles brasileiras, que por desse modo, reflete a desigualdade social que a urbanização proporcionou para o cenário brasileiro.
Outrossim, é notório relatar o possível impacto humanitário, caso não haja medidas inseridas em áreas ocupacionais com desafios relacionados a fatores geográficos e sociais. Na obra intitulada, “A Peste” de Albert Camus, é discorrido as mazelas sociais causadas por uma epidemia que assola a cidade de Orã devido a gestão pública com a população e a ausência de um saneamento básico próximo às moradias. Sob esse viés, ainda que não seja recorrente no meio midiático brasileiro, nota-se a fragilidade e relevância desempenhadas por grupos residentes de áreas inadequadas para ocupação, visto que, 25% da população do país mora em favelas, isto é locais sujeitos a doenças as quais podem devastar comunidades.
Nesse sentido, depreende-se que a ocupação urbana desordenada é problemática na qualidade de vida dos indivíduos. Para que famílias em situações iguais ao do longa “Parasita” sejam amenizadas, cada Prefeitura dos municípios juntamente com apoio federal, deve elevar as condições de vida desta parcela mais debilitada financeiramente por meio da construção de conjuntos imobiliários aliado a propagação de campanhas que relatam a importância da higienização própria e saneamento nas moradias dentro dos transportes públicos, uma vez que, tal parcela é a que mais usufrui deste meio de locomoção. Assim, projeta-se um futuro em que os benefícios serão popularizados.