Consequências da ocupação urbana desordenada

Enviada em 02/06/2021

O romance “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo, sintetiza em um único espaço os problemas do crescimento desordenado de uma grande cidade. Embora tenha sido escrito no século XIX,  o autor expõe aos seus leitores o cotidiano de vários indivíduos que vivem em um estabelecimento, no qual a falta de infraestrutura, salubridade e segurança é perceptível. Na atualidade, devido à superlotação das cidades milhares de pessoas precisam recorrer a este tipo de habitação irregular para ter uma moradia. Nesse contexto, a análise da desigualdade social e da falha estatal como agentes impulsionadores desta problemática é fundamental.

Para o sociólogo Karl Marx, a desigualdade social tem o seu prelúdio na divisão de classes. Certamente, a distribuição desigual de renda e de propriedades atua nesta questão, já que a população menos favorecida tende a migrar para as grades cidades em busca de melhores condições de vida. Análogo a isso, o êxodo rural aumenta o número de habitações precárias nos grandes centros o que suscita a impermeabilização do solo, possíveis deslizamentos e desmoronamento de moradias e problemas sociais bem como prostituição e marginalização.

Segundo o filósofo Aristóteles, o Estado deveria ser o responsável por prover o bem comum e atender às demandas populares. Decerto, a incompetência do Estado em fornecer à população o que lhe é de direito é um agravante deste problema. Por conseguinte, é visível que o lapso estatal intervém nesta questão, visto que o planejamento malfeito das cidades e a falta de aplicação da carga tributária neste âmbito são fatores que favorecem a desarmonia nas cidades. Dessa forma, o lapso estatal gera problemas ambientais como, por exemplo, as ilhas de calor e problemas no que concerne à mobilidade urbana.

Dessa forma, medidas precisam ser adotadas para solucionar este caos urbano. Para que isso ocorra, o Poder público deve fornecer subsídio para obras verdes, além de elaborar leis e políticas afirmativas que vissem reorganizar o espaço urbano. Ademais, a sociedade deve se mobilizar contra a estratificação social através de manifestações e movimentos expressivos. A fim de  garantir um âmbito urbano saudável e ordenado.