Consequências da ocupação urbana desordenada

Enviada em 17/05/2021

Para Milton Santos, geógrafo e cientista brasileiro, o processo de globalização, diferentemente da idéia de unificação global, é perverso e responsável pelo aprofundamento das desigualdades sociais. Tal fato é facilmente observado, principalmente, em grandes cidades e teve a ausência de planejamento urbano como um dos fatores determinantes para a ocorrência desse fenômeno - fato que, na contemporaneidade, configura um preocupante problema. Vê se que a concentração de terras e a modernização urbana intensificaram a ocupação desordenada das cidades. Com efeito, observa-se a marginalização de uma parcela da população urbana. Dessa forma, medidas são fundamentais para alterar essa realidade.

Em primeira análise, cabe pontuar que a concentração fundiária contribuiu para a urbanização desorganizada das cidades brasileiras. O fenômeno conhecido como fagocitose rural, foi responsável pelo aumento do número de latifúndios e o desmatelamento da agricultura familiar, tendo como consequência o êxodo e a proletarização rural. Além disso, como outra causa para a situação problemática abordada, destaca-se a dinamização da atividade industrial nas cidades, o que também incentivou o êxodo rural devido a possibilidade de emprego, consumo, ascensão economica, etc.

Posteriormente, entre as consequências dessa ausência de planejamento urbano, é tácito elencar a segregação espacial. Segundo Milton Santos, a sociedade hodierna é composta por espaços antagônicos: espaços luminosos e espaços opacos. O primeiro é caracterizado por grandes infraestruturas e enclaves fortificados extremamente elitizados. Todavia, os espaços opacos surgiram em decorrência da macrocefalia urbana e são, majoritariamente, desamparados pelo poder estatal, o que resulta na exlusão social da população que habita esses locais, uma vez que ela é marginalizada e privada de direitos constitucionais básicos - acentuando o fenômeno da globalização perversa. Dessa maneira, é imprescindível a proposição de medidas para minimizar essa situação.

Portanto, ao analisar a urbanização não planejada, observa-se a influência dessa no entrave social, o que exige um plano de ações efiecientes para atenuar o problema. Posto isso, compete ao Ministério da Cidadania, em parceria com o poder municipal, por meio de investimentos governamentais, garantir direitos básicos para pessoas que habitam áreas marginalizadas ou que estão em déficit habitacional - o governo deve possibilitar o acesso a tratamento de esgoto, água potável, ruas asfaltadas, ampliação do projeto “Minha casa, minha vida”, transporte público em todas as regiões, entre outras medidas -, a fim de melhorar a qualidade de vida dessa população por meio de uma elaboração do espaço urbano realmente eficaz.