Consequências da ocupação urbana desordenada

Enviada em 18/04/2021

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.” A afirmação atribuída à filósofa francesa Simone de Beauvoir, pode facilmente ser aplicada aos impactos da ocupação urbana de forma desordenada, já que mais escandalosa do que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade. Nesse sentido, torna-se evidente que essa vicissitude tem origem clara da negligência do Estado. Desse modo, os fatores que corroboram para a solidificação dessa conjuntura estão a carência infraestrutural e o imediatismo político.

Dessa forma, é notável que os efeitos da ocupação urbana de maneira desordenada advêm da falta de infraestrutura. Esse cenário destaca a ausência da estruturação governamental na formação das cidades, cristalizando as desigualdades vividadas na atualidade. Isso demonstra uma urgente necessidade de conscientização da sociedade e principalmente dos órgãos públicos responsáveis pela gestão e fiscalização do uso do dinheiro público. Como resultado disso, tem se tornado comum os meios de comunicação noticiarem os desastrosos e irreversíveis danos ao meio ambiente por conta da ocupação desordenada no espaço urbano. Essa reflexão pode ser confirmada pela afirmação da geógrafa brasileira Nelli Aparecida de Mello, já que “o crescimento do município se estabelece paralelo a um processo crescente de degradação ambiental”, logo é necessário um esforço urgente de ampliação e de melhoria da qualidade da infraestrutura existente no Brasil.

Além disso, percebe-se como a cultura imediatismo amplia as consequências causadas pela ocupação caótica nos espaços urbanos. Isso ocorre porque a carência no combate às novas formas de ocupação urbana se alicerça a partir das condutas dos representantes políticos, que são motivados por uma conduta imediatista, focada no retorno rápido e individual, tornando o Estado uma ferramenta de manutenção de interesses privados, e não mais sirva ao povo.

Portanto, torna-se claro que as consequências da ocupação urbana desordenada tem como origem inegável da negligência estatal. Destarte, para solucionar esse problema, urge que o governo federal crie um plano de harmonização de ocupação urbana, que terá como prioridade diminuir os impactos das ocupações nas cidades sem planejamento. Esse plano atuará a partir do Ministério da Infraestrutura em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) ao propor investimentos em serviços básicos à população e de forma sustentável, tais como transporte alternativo, construção civil sustentável, moradias compactas e funcionais, com a finalidade de combater os desastres ambientais e oferecer condições dignas de moradia a sociedade.