Consequências da ocupação urbana desordenada

Enviada em 30/12/2020

A industrialização brasileira, considerada tardia, teve seu maior impulso durante o Governo Vargas no século XX. Com esse processo e a consequente urbanização, houve um aumento do êxodo rural e as cidades, sem planejamento, não tiveram estrutura para receber todos que chegaram do campo. Dessa forma, a falta de um planejamento urbano causa problemas como aumento no número de moradias irregulares e mudança no microclima dos centros urbanos.

Em primeira análise, quando há um aumento no fluxo populacional em direção às cidades e não há uma organização prévia, grande parte da população acaba em condições de moradias precárias ou irregulares. Isso ocorre pois há busca por locais mais baratos e mais próximos de seus empregos, o que leva a expansão das favelas. Devido a isso, quanto maior o contingente populacional em comunidades, menos infraestrutura disponível para todos como saneamento básico e segurança, o que pode levar ao aumento da violência, disseminação de doenças e risco de desabamento. Esse cenário caracteriza o Estado como uma Instituição Zumbi, a qual segundo Zygmunt Bauman, mantém sua forma mas não exerce sua função, essa negligência torna-se evidente ao observar as condições de vida dessa parcela da população.

Além disso, a busca por lucro das imobiliárias leva ao aumento do número de prédios cada vez mais altos - para disponibilizar mais apartamentos - que impedem a circulação de vento nos grandes centros urbanos. Esse impedimento do fluxo do ar atmosférico, associado a retirada da vegetação e ao uso de materiais com baixo albedo - índice de reflexão dos raios solares - leva ao aumento da temperatura média local, causando as ilhas de calor. Esse panorama demonstra que a sociedade é composta por partes que interagem entre si a todo instante, assim como expõe a analogia do Corpo Biológico de Emile Durkheim já que ao pensar apenas no quesito financeiro, prejudica-se todo o aspecto ambiental da cidade.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de medidas que amenizem os problemas da ocupação urbana desordenada. Para isso, cabe ao Governo Federal - por meio do Ministério da Fazenda - oferecer incentivos fiscais a empresas imobiliárias que estipulem um número máximo de andares por prédio - de acordo com análise de engenheiros ambientais - e façam no último andar um terraço verde a fim de permitir a maior circulacao de ar e diminuir as médias térmicas dos centros urbanos. Com isso, os efeitos da urbanização sem planejamento governamental poderão ser amenizados e uma melhor qualidade de vida será oferecida à população.